Não apaixone, nunca!

Não se iluda. Recuse o que a vida te oferecer. Recuse no sentido de crer que vai resolver. A questão é o que valoramos e como valoramos. A questão é o que esperamos. Sofremos porque queremos do outro o que ele sequer possui para si. Sofremos porque nos prendemo à ilusão da totalidade. Tememos o vazio. Angustiamos com a dor. Os laços que fazemos  com o mundo estão cheios de buracos. Todas as nossas expectativas carregam sempre uma dose de medo. O que são esses buracos? O que são estas inseguranças? É a solidão de quando o outro vai embora. É o telefone que não atende. É o chefe que te pede para passar na sala dele. É o que pode acontecer a qualquer momento. Recuse todas as promessas. Não espere tudo. Não existe essa história de apenas crer e esperar que dê certo. Já estamos sofrendo quando cremos. Já estamos desesperados quando apaixonamos. O buraco não vem depois. Ele está o tempo todo. Ele é igual pra todo mundo. Menos arrogância e mais humildade. Podemos e devemos buscar sentido para o que não tem sentido. Não podemos é ter a pretenção de significar tudo.  A ausência faz parte do processo. Existe uma parte que só pode ser vista. Só podemos ter o vazio. Não podemos explicar o vazio. É medonho? Sim. É doloroso? Sim. Como viver com ele? Eis o desafio colocado para cada um.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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