Carta de despedida da presidenta Dilma …

Povo brasileiro …

Estou indo embora. Estou indo com a consciência limpa. O poder nunca me subiu pela cabeça. Nunca acreditei que isto fosse a solução dos meus problemas. Volto para casa ciente da minha condição de pessoa limitada e mortal. Não fiz barganhas. Repetiria tudo que fiz – se preciso fosse. Tudo o que fiz foi pensando no povo brasileiro. Se não tomei medidas drásticas – para me dar bem agora – foi porque não queria ser chamada de traidora no futuro. Não roubei. Não há nenhuma prova concreta contra mim. O tempo dirá. Estou deixando a presidência em detrimento de uma armação. Provas estão sendo forjadas e pessoas estão  sendo manipuladas. Trago aqui os extratos atualizados das minhas contas bancárias (joga para o alto os extratos bancários). Trago também cópias autenticadas de todos os documentos dos meus bens (joga para o alto as cópias dos documentos). Não acumulei riqueza durante estes anos que estive aqui. Saio como entrei. Deixo a chave do meu gabinete (balança as chaves). Estou entregando o governo para uma quadrilha da pior espécie. A maioria aqui não vale um vintém. Eles sabem do que estou falando. Como é possível 81 senadores decidirem por 54 milhões de votos! São todos bandidos, falsos profetas e ufanistas de meia tigela. Todos  contra o Bolsa-Família. Falam abertamente da restrição de direitos das mulheres e dos LGBTs. São contra as cotas raciais mínimas. São grileiros de terra que alimentam um ódio descomunal pelos indígenas. Venceram os que se empaturram, de norte a sul do país, com o dinheiro de empreiteiros corruptos. Venceram os banqueiros sonegadores. Venceram os que vivem dos sobrenomes herdados. Venceram os que nunca trabalharam e os que acreditam que o progresso do país é a melhoria das suas próprias contas bancárias. Sairia daqui feliz se estivesse entregando a presidência para alguém que fizesse jus ao cargo. Infelizmente, uma quadrilha tomará meu lugar. Tentei pegar esses criminosos. Eles foram mais espertos que eu. Agora vou cuidar de mim e de meus netos. Sinto dizer que não há nada que vocês – cidadãos de bem deste País – possam fazer. Estes canalhas têm o incrível poder de fazer com que a mentira vire verdade. Esses monstros passam de bandidos a heróis em questão de segundos. A mídia tem o incrível poder de fazer brilhar a face de qualquer cara de pau. Vocês não sabem nem um por cento do que se passa aqui dentro. Esse Congresso Nacional é um antro. Não fiz nenhuma negociata para permanecer aqui. Sou vó. Tenho família. Tenho história. Confiei até o último segundo que a sensatez fosse vencer a sociopatia: venceu a sociopatia. Não desejo boa sorte. Não seria hipócrita. Tenho pena do povo brasileiro. Tenho pena da população que paga as orgias desses vagabundos engravatados. (vira o rosto para o lado direito e cospe), (vira o rosto para o lado esquerdo e cospe), (vira o rosto para trás e cospe), (olha para frente e cospe). Tomem o poder. Gozem da desgraça alheia. Espero que vocês se dêem em conta – nem que seja na hora da morte – da burrada que estão fazendo. Tenho nojo de vocês. (Sai andando de cabeça erguida e gargalhando).

(Texto fictício escrito por Evaristo Magalhães. Qualquer semelhança é mera coincidência)

 

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