Como ainda somos explorados …

Houve um tempo em que não havia emprego. O homem plantava e colhia para seu próprio sustento. Tecia e costurava suas próprias roupas. Em algum momento alguém retirou deste homem o poder de produzir os alimentos necessários à sua sobrevivência. Tomou para si a matéria prima e os meios de produção fundamentais à subsistência daquele. Este homem – agora expropriado – teve que se submeter ao seu algoz para não morrer de fome. Eis que surgiu a escravidão. O mundo moderno criou o emprego para o sucessor daquele que foi expoliado de sua autonomia produtiva. A sobrevivência da maior parte dos humanos está – ainda hoje – sob a dependência da boa vontade dos patrões. Esta mesma dependência outorga aos patrões o poder de determinar quais regras o operário terá que se submeter para garantir seu pão de cada dia – uma vez que ele não tem muitas alternativas. O patrão determina o valor do salário conforme a jornada de trabalho. O valor que o operário produz durante seu tempo de trabalho é infinitamente maior que o valor que ele recebe. O  trabalho não permite que o empregado tenha espaço para buscar alguma formação cultural. O que colocaria em risco o poderio patronal, uma vez que o operário compreenderia o seu lugar na engrenagem do sistema. Nos finais de semana os patrões se ocupam de oferecer inúmeros programas de TV para que seus empregados esqueçam as agruras da exploração a que são submetidos. Pagará um preço altíssimo quem ousar questionar as regras desse jogo grotesco …

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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