Não adianta brigar contra o impossível …

Não adianta lutar contra o impossível. Não resolve tentar entender certos enigmas. Não há uma síntese. É possível fazer uma constelação do absurdo de nós mesmos. Podemos criar um estilo de vida que caiba a contradição. Um emaranhado de sentimentos que englobe a dor e a delícia de existir. Somos incoesos. Inconstantes. Irregulares. Isto pode não ser para nos fazer sofrer. Pode ser para testar nossa capacidade de contentamento na adversidade. O amor pode terminar ali. Pode recomeçar lá. Podemos não acordar. Podemos pensar no que de pior pode nos acontecer. É fato. Estamos expostos. Não temos muitas garantias. Por que temos que envelhecer? Por que temos que morrer? Podemos focar em um amanhã frio e sombrio. Contudo, podemos incluir o mal em uma constelação infinita de coisas. Podemos nos arranjar com ele. Podemos extrair alguma felicidade com ele. Não acredito nas soluções das equações matemáticas. Nunca fui muito fã do idealismo platônico. Sempre questionei o espírito absoluto do hegelianismo. Não acho que a vida seja uma dialética onde os contrários se superam. Desisto da ideia de felicidade plena. A vida é uma mistura de sensações com e sem sentido. A vida não pode ser pensada matematicamente. Nunca eliminaremos o estranho de nós mesmos. Podemos nos divertir com ele. Podemos fazer arte dele. Podemos performatizá-lo. Podemos rir dele. Melhor que sofrer por ele.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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