O mundo está completamente individualista.

Perdemos as identificações. Nada está pronto. Nem para os mais velhos. Todos têm que se refazer. Não há mais o certo. As pessoas podem mudar tudo. Podem mudar de religião. Podem mudar de ideia. Podem mudar de País. Podem mudar de profissão. Nada está pronto nos esperando em lugar nenhum. Nada é estável. Podemos perder tudo a qualquer momento. A questão é quando pode ficar ainda pior.  O mundo está assim. Estamos o tempo todo sendo desafiados em nossas individualidades. Como serei amanhã? Como estarei daqui a um ano? Como será minha velhice? Como estará o mundo daqui a cinquenta anos? Impossível saber. O que vou fazer agora? Estamos sempre tendo que nos arranjar. Estamos sempre tendo que nos adaptar. Nunca nossa personalidade teve que ser tão plástica. Cada um se vira como pode. A felicidade de UM não é a mesma felicidade do OUTRO. Duas pessoas completamente díspares podem dividir o mesmo espaço. Estamos tendo que aprender a respeitar ainda que outro esteje equivocado. Estamos tendo que pensar que poderia ser ainda muito pior. É o contentamento pelo menos. O mundo virou um caldeirão de identidades. Não podemos resolver pelo outro – mesmo porque ele também está tentando se resolver. Nunca o mundo precisou tanto de tolerância e de respeito pelas diferenças. Nunca o mundo precisou tanto de paciência. Até bem pouco tempo as pessoas aposentavam em suas profissões. Os casamentos duravam a vida toda. Os filhos se estabilizam após a maturidade. O mundo era mais regular. E agora? Tudo se despedaçou. Todo mundo no mesmo bolo. Velhos e jovens à deriva. Não há mais referência. Não há um tempo para tudo. Não há desenvolvimento. Uma criança pode acessar qualquer informação que quiser pelas redes sociais. O conhecimento está disponível para todos para o bem ou para o mal. As hierarquias quebraram. Todo mundo pode ser o que quiser. Todo mundo é um pouco de tudo. Não há divisão de saberes. Ninguém depende de ninguém. A felicidade é de cada um. Qual é a sua felicidade? Pode não ser a mesma que a minha. Pode ser oposta. Não há um parâmetro de vida. Cada um tem o seu.

Evaristo Magalhães – psicanalista

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