Tudo não existe!

Tudo não existe. Melhor é focar menos no que queremos é mais no que o outro está disposto a nos oferecer. Precisamos viver mais o que conquistamos e menos o que gostaríamos de conquistar. Precisamos aprender a nos virar com o que temos. É bom viver relações intensas. Contudo, temos que aprender a nos arranjar com o que sobrou do amor que se foi. Temos que nos fazer com a dor. Há o outro que não telefona e o corpo que deforma com o tempo. Há quem parte para sempre e aquele que nos troca por alguém que entende que o faria mais feliz. Quem nunca sofreu de falta? A sensação é de que estamos o tempo todo faltosos. O homem contemporâneo parece elétrico quando crê poder controlar a falta. A sensação é de que tudo pode se perder a qualquer momento. O homem contemporâneo não dorme. Buscamos alguém que queira à nossa maneira, sem nos darmos conta que ele também busca o mesmo. Suprir a falta é o sintoma da sociedade atual. O sentido da vida depende da destreza para lidar com o que não se tem. Os valores evaporaram. Os ideais diluíram. Ficou o vácuo. Temos que nos arrumar com o que falta. O homem contemporâneo terá que se a ver com uma felicidade capenga. Terá que se contentar apenas com semblantes. Terá que se fazer na falta. Muitos estão por um fio. Muitos estão no vácuo. Muitos estão desistindo de tudo. Muitos estão indo embora.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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