VOCÊ AMA OU DELIRA DE AMOR?

Não existe este amor que desembestamos a falar dele. Gostaríamos que nossos sentimentos não mudassem nunca. Falamos do amor como se ele fosse uma coisa constante e regular.

As palavras são inócuas quanto ao sentido da vida. Não existem ideias seguras sobre o que desejamos. Não existe aquilo de que pensamos e falamos.

Criamos um mundo à parte com as palavras. Falar é verter. Quanto mais falamos, mais irrealizamos o mundo. Criamos ficções.

Nem questionamos o amor. Não queremos enfrentar o fato de que amar é mais fruto da nossa imaginação que da realidade. Se checarmos nossas crenças sobre os fatos, depararemos com um “não” que evitamos saber.

O amor é um delírio. Nosso amor é mais uma articulação mental que uma realidade concreta. Não suportamos as pessoas que não vivem no mundo das palavras – exatamente porque experimentam a realidade em toda a sua inteireza.

As palavras não são as coisas. As palavras detonam o amor que foi feito para ser vivido e não para ser pensado. O amor é corpo. Há algo na esquizofrenia que nos interessa: a parte onde os esquizofrênicos agem sem pensar.  Não deveríamos dar nenhuma satisfação do amor que temos.

O que fazer com as coisas que não conseguimos explicar? Como se entregar sem se perder? Como tocar o intocável?

Tomamos como estranho tudo o que foge à palavra. Só viveremos de fato quando soubermos nos arranjar com este mistério. Pensar não resolve. Há milhões de anos de raciocínio. Temos que enfrentar o que foge à razão. Temos que encontrar outro jeito de fazer com isso – que não seja pelo tipo de amor obcecado que sabemos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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