O amor é uma lembrança boa …

Freud dizia que a pulsão é limítrofe entre o psíquico e o biológico. A lembrança é a imagem (psíquico) mais uma certa quantidade de afeto (biológico). O amor é a junção do afeto com a imagem.

Há pessoas que encontramos e não nos despertam nenhum afeto. Freud nunca conseguiu responder porque apenas algumas pessoas nos despertam este frenesi louco de amor.

O problema é quando arrebatamos e não somos arrebatados?! O amor só acontece quando passamos a existir na memória afetiva de alguém. Quando viramos aquele friozinho gostoso dentro de alguém.

O amor finda quando evaporamos de dentro do outro. Quando viramos uma miragem sem força para movê-lo em nossa direção.

Sofremos quando só damos e não recebemos amor. Deprimimos quando o outro nos é inteiro e somos nada mais que uma mera lembrança dentro dele.

É triste ficar na torcida por uma declaração de amor. É dolorosa a ansiedade por um gif de beijinhos.

Jamais saberemos porque deixamos de existir na memória sentimental de alguém. O amor tem dessas coisas misteriosas!

Uma vez que arrebatarmos o coração de alguém, temos que torcer para crescermos dentro dele mais e mais a cada dia. Não existe receitinha pronta para fazer isto acontecer.

Nunca saberemos com exatidão os motivos que nos fizeram virar um desafeto para alguém. Nunca saberemos como fazer para continuarmos vivos na memória afetiva de quem amamos.

O amor é um enigma. Quem tem o seu que aproveite. O amor é quimica. É desejo. É memória. É lembrança. É frenesi. Como explica-lo? Impossível. Talvez seja mesmo mais uma questão de sorte que de razão.

Evaristp Magalhães – Psicanalista

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4 comentários sobre “O amor é uma lembrança boa …

  1. Wiviane disse:

    Lindíssimo!!!
    Como tenho vontade de voltar aos bancos da faculdade para desfrutar do seu conhecimento. Evaristo VC é uma pessoa ímpar, talvez seu maior predicado seja a generosidade, de jogar para o mundo todo sua sabedoria.
    Todas as pessoas deveriam uma vez na vida ler um texto seu, desfrutar do seu convívio, seja como aluno, ou qualquer outra relação é mesmo um privilégio.

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