Pensar não resolve nossos problemas pessoais.

Lacan dizia que não somos quando pensamos. Somos quando não pensamos. O “penso: logo sou” cartesiano continua sendo muito pernicioso para nós ocidentais. Pensar só é – em certa medida – adequado quando serve para explicar os fenômenos da natureza, que são sempre os mesmos. É impossível obtermos um conceito exato sobre nossos sentimentos. Nenhuma vivência sentimental é igual a outra. As emoções são inconstantes e irregulares. Viver e conviver implica experimentar todas as contradições possíveis. Como nossas emoções não são coisas, fica sempre um resto para compreendemos. Corremos o risco de passarmos a vida toda pensando e nunca vivermos o que sentimos. Viver é diferente de pensar. Conhecemos nossas emoções experimentando-as. Os analistas não esperam saber o que estamos pensando e, sim, quais movimentos estamos fazendo para sermos mais felizes. Ninguém deita num divã apenas para ficar planejando uma ação afetiva. Corre-se o risco de planejar add infinitum. Lembro de um rapaz que me procurou queixando de uma certa dificuldade para relacionar com mulheres. Perguntei se ele já esteve com alguma. Disse que nunca. Sugeri que experimentasse primeiro, para depois procurar um analista. O amor não é matemático. Não dá para ficar calculando a vida toda. É preciso amar para saber. Vale qualquer coisa que nos faça sentir melhores. Paralisar na dor para tentar endendê-la é covardia. A paralisia depressiva advém da fantasia de só se satisfazer com uma ação completa. É tudo ou nada. Jamais apreenderemos nossos desejos em um único conceito. Ê por isso que não podemos deixar de agir. Haja o que houver: aja. O pensamento não prova nada. Provamos qundo experimentamos e vivenciamos. O motor da vida não é a mente. A vida se faz no fazer. Só vivemos de verdade quando nos deixamos guiar pelos nossos sentidos. Pensar um lugar é completamente diferente de estar nele. Estudar a química da água é infinitamente diferente de mergulhar em uma cachoeira cristalina, num dia quente de verão. Sofremos porque somos -excessivamente – racionais. O verdadeiro sentido não é pensar na vida. É se jogar na vida.

Evaristo Msgalhães – Psicanalista

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