Por que sofremos por amor?

É seguro que a água aquecerá quando exposta ao fogo. As ciências visam à constância e à regularidade. Visam – também – garantir que o resultado será sempre o mesmo. Grande parte do que ocorre em nosso organismo pode ser previsto. Há previsão do tempo. Os sismógrafos conseguem prever terremotos.

As relações humanas não podem ser previstas. Nada que a ciência usa para entender os fenômenos naturais pode ser utilizado para estudar o que acontece na convivência entre os seres humanos. Não é possível prever o temperamento de uma pessoa nos próximos segundos. Há um nível menos profundo de relações em que os indivíduos até conseguem disfarçar suas agruras cotidianas. Porém, em contatos mais íntimos, é impossível não se a ver com os destemperos. A ciência não quer que soframos. Porém, nem tudo é passível de se impedir. Há um âmbito do humano em que a frustração está o tempo todo presente – em menor ou maior grau. As relações humanas vivem de expectativas e não de certezas. Analisamos as possibilidades de uma boa companhia, porém, com um grau ínfimo de probalidade de obtermos sucesso na relação.  Quem quer amar precisa se preparar para viver situações adversas. O outro diz, sem certeza, do que queremos ouvir. Fazemos com a melhor das intenções e somos surpreendidos. Mesmo os mais éticos e equilibrados sofrem de desamor por inveja ou despeito. Podemos e devemos sonhar e idealizar. Nunca podemos esquecer que nossos delírios podem não coincidir com os sonhos do outro. É quase impossível encontrar alguém no mesmo compasso. Se esperamos da ciência alguma segurança, o mesmo não podemos esperar de qualquer pessoa que cruza o nosso cotidiano. Qualquer teoria ou experimentação não funciona para os sentimentos e as emoções. Todo saber cessa onde começa a humanidade. O máximo que podemos fazer é torcer para não sermos comunicados – a qualquer momento – que o amor acabou. O amor desafia todas as previsões …

Evaristo Magalhães – Paicanalista

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