Nunca diga: EU TE QUERO MUITO!

Querer muito uma pessoa pode – no fundo – camuflar uma certa agressividade por ela. Que sentido negativo pode ter desejar muito alguém? Temos necessidades, vontades e desejos. As necessidades são fisiológicas e as suprimimos com coisas. As vontades são abstratas e as suprimimos com ideias.  Os desejos são existenciais e achamos que os suprimimos com nossos amores. Contudo, amar não é o mesmo que comprar ou pensar. Amamos para nos proteger da solidão. Amamos para acalentar os mistérios que nos rondam. Porém, no amor, nada é muito seguro. Não podemos colocar as pessoas no mesmo patamar dos objetos e das ideias. Necessidades e vontades podem ser suprimidas. Amar tem a ver com o vazio e o desamparo. Quanto a isto, não existe resposta. Não podemos usar o outro como tampão dos nossos enigmas. Não há solução para as nossas questões existenciais. Podemos acoplar coisas e ideias às nossas necessidades e vontades. O amor é o que buscamos em vão e – no entanto – não cessamos de buscar. Todos os nossos problemas estariam resolvidos se pudéssemos ter todas as pessoas que amamos ao nosso entorno. Quando temos necessidades – pegamos o que queremos. Quando temos vontades – racionamos e encontramos a solução. Quando amamos – adentramos no vácuo. No vazio, podemos entrar em pânico, pedir socorro ou nos entupirmos de medicamentos. Nada pode nos livrar deste tormento. A questão é o que fazer com o que o amor não supre. A resposta é de cada um.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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