Sobre VIVER nas MÃOS de outra PESSOA ….

O capitalismo criou a figura do empresário, dono, patrão, diretor e chefe. Ou seja, pessoas que tem outras pessoas nas mãos. Em épocas de economia estável isto não chega a ser um grande problema, uma vez que há mais vagas de emprego disponível. No entanto, isto é terrível em tempos de crise econômica, porque na sociedade de mercado, quem não trabalha não sobrevive. Entendo porque há uma epidemia de concursos públicos, uma vez que a estabilidade elimina – quase por completo – a sensação de viver nas mãos de outra pessoa. É esta sensação que gera os famosos baba-ovos ou puxa-sacos. É ela – também – a responsável pela grande maioria das doenças do trabalho: síndrome de burnout, depressão e pânico. É terrível viver estando sob o domínio de outra pessoa. A Justiça do Tabalho até tenta dificultar o exercício desta função autocrática. Contudo, não existe nada que impeça patrões e chefes de demitir quantos quiserem e quando quiserem e – na maioria dos casos – sem nenhuma justificativa. É este poder absoluto das chefias – confundido com sadismo e facismo – que é desesperador para os trabalhadores. Deve ser por isso que o sonho de todo empregado é virar patrão ou chefe. Este é – talvez – o maior problema para quem trabalha em empresa privada. É precido lidar com um certo pânico intermitente. Há uma paranoia instalada. É desesperador quando o chefe se mostra tenso por qualquer motivo. É um alívio quando a equipe descobre que ele está com algum problema pessoal. É terrível quando o chefe – por um lapso – não cumprimenta o funcionário. É terrível trabalhar tentando advinhar o que está se passsando na cabeça da chefia. Há aqueles trabalhadores que têm os patrões nas mãos através de chantagens. Enfim, há um espaço meio sem lei nas relações entre patrões e empregados. Um espaço que é exercício exclusivo da vontade do empresário. Um espaço onde ele pode quase tudo. Um espaço em que a ética é exercida de modo personificado. Um espaço onde meios e seus fins são definidos entre quatro paredes e – quase sempre – pela vontade de apenas um.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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