Você é SEGURO de SI?

É possível sermos nós mesmos? Lacan sugere uma saída interessante para esta questão. Precisamos pensar no Outro que somos e no Outro que gostaríamos de ser: o nosso Outro oscilante entre o natureza e a cultura. O Outro da natureza é o impossível de ser. O Outro da cultura é onde somos o que a sociedade quer de nós. Como associar não-ser com o impossível de ser? Este último é o Outro da perversão e da psicose – por isso precisa ser colocado no plano da impossibilidade. A chave – talvez – esteja em tentar pensar no Outro do nosso desejo e – em que medida – ele não representa nenhum dano a nós mesmos e aos outros. Nessa perspectiva, o critério para sermos o quisermos deixa de ser o olhar da moralidade e dos costumes e passa a ser o da dignidade da pessoa humana. Podemos ser o que quisermos desde que isto não coloque em risco o direito de sermos e do outro de ser o que ele quiser. O fim é SER. Não nos é dado o direito de colocar em risco nossa existência. Podemos e devemos SER e nunca não-ser. Experimentar a sensação de SER nos leva imediatamente a desejar que o outro viva esta experiência: cada um a seu modo e com respeito pelas diferenças.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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