Sobre PESSOAS CRÍTICAS …

“Narciso acha feio o que não é espelho” foi o que disse Caetano quando viu a cidade de São Paulo pela primeira vez. Durkheim acreditava na existência de um mesmo modo de pensar, agir e sentir. Os críticos não pensam o mundo como a maioria. Encontramos outros de nós quando nos expomos aos críticos. O ideal seria se fôssemos críticos de nós mesmos. É uma pena que – quase sempre – reagimos mal às críticas. É – talvez por isso – que os críticos – quase sempre – são tratados com tanta hostilidade. Quem é igual vive de bem com todo mundo. Contudo, estar entre os iguais é permanecer sempre o mesmo. Buscamos – quase o tempo todo – constância e regularidade. Não conseguimos enxergar um sentido positivo para nossas crises. O crítico carrega o drama de achar que é pessoal todo mal que lhe acontece. A dificuldade dos iguais em lidar com a diferença cria – no crítico – uma certa mania de perseguição. É preciso estar muito seguro de si quando se opta por incomodar o mundo dos acomodados: é querer amor onde não há. Preferimos quem diz o que queremos ouvir. Não ser igual tem um preço: é ter que lidar com “rabos de olho” e “narizes torcidos”. Dependendo da hora e do lugar ninguém aproxima – como se o crítico fosse portador de alguma doença contagiosa. Talvez – por isto – temos os guetos dos diferentes e a multidão dos iguais. Os críticos podem sofrer retaliações dos mais conservadores. É preciso manter uma certa clareza e repetir como um mantra: eles não sabem o que estão dizendo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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