Sobre a FALTA de AMOR PRÓPRIO …

O QUE É AUTOESTIMA?

O que leva uma pessoa a não gostar de si? Freud postulou duas teorias. A raiz da primeira encontra-se no ambiente familiar: a forma como nos amamos deriva da forma como fomos amados. A culpa é de quem nos amou. A segunda – contrária à primeira – exime a culpa dos nossos genitores e responsabiliza-nos por nossa falta de amor próprio: identificamos com o amor que não tivemos. Dizemos SIM à rejeição que sofremos.

Uma pessoa desamada de si – além de não conseguir enxergar-se positivamente – pratica atos danosos a si. Isto é evidente em pessoas pouco cuidadosas com a própria imagem, com a própria alimentação e com a sua formação intelectual e profissional. Ao infernizar o ambiente familiar, essas pessoas querem – no fundo – é se punirem por não enxergarem grande valia em si. Elas quase nunca sentem-se amadas – uma vez que não se vêm como merecedoras do amor dos outros. Suas depressões, com o mundo, derivam do modo depreciativo como referem-se a si mesmas. Vivem tensas, porque gostariam de terem nascidas outras pessoas. Vão aos poucos minando todas as suas conquistas. Tendem culpar a crueldade do mundo apenas para justificarem-se moralmente. Chamam para si tudo de pior. São movidas pela derrota – porque são a personificação da perda. Não são gratas por nada e passam grande parte do tempo queixosas e ressentidas do que a vida lhes concederam de melhor. Tendem a convergir tudo para a tristeza. Conseguem enxergar negatividade mesmo nos momentos de intensa alegria. Sentir pena destas pessoas, é revelador do quanto somos – também – desafectados de nós mesmos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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2 comentários sobre “Sobre a FALTA de AMOR PRÓPRIO …

  1. J disse:

    Muito legal seu texto, gostei bastante. E, em certa medida, me identifiquei com ele. Gostaria que comentasse um pouco, se possível, sobre o que fazer nesses casos, como seria um processo de desconstrução dessa ausência de amor consigo mesmo. Obrigado.

  2. ELIANE RIBEIRO disse:

    Prezado Evaristo…

    Seu artigo me remeteu ao passado, ao âmbito familiar e, me fez pensar em contribuir minimamente com você. Concordando com toda a abordagem de seu texto sobre o amor, ou falta dele. Penso que outra face deste acontecimento na vida humana, resultaria numa exposição amorosa por parte de alguém que não recebeu afeto. Ao passo que o amor não nos alcança e, tendo intrinsicamente em nós a estima, o auto reconhecimento e, por que não dizer “o amor”, revertemos a posição amarga em vontade de fazer oposição ao que nos sucede. Transformar a realidade, deixar de positiva-la no mal. Se mesmo com um comportamento irrepreensível, ainda assim este amor que buscamos não os alcançar, esta apreciação do bom, possível em nós, nos fará evoluir, contaminando àqueles que estiverem próximos a nós.

    As vezes a falta de amor, faz com que entendamos o quão importante é este sentimento, pois sendo vivenciado por nós, não o desejamos aos outros. Uma autêntica produção de bom humor, de alegria e solidariedade.

    “É na escuridão que se reconhece a luz” , ou algo assim, nos faz pensar(…)

    Um abraço,

    Eliane Ribeiro
    UNIBH

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