Nunca FOMOS tão pouco CRIATIVOS.

Nós – Psicanalistas – temos uma tendência à culpabilizar os sujeitos quando as coisas não vão muito bem. Acreditamos que é necessário angustiar para criar. Nas útimas décadas, os dados não são muito favoráveis para a saúde mental da grande maioria da população. A falta de sentido na vida – diga-se depressão – já é quase um problema de saúde pública. Por sentido na vida podemos entender algo que nos faça gostar de viver e que seja novo, criativo e interessante. Não faz muito sentido mover-se para ver o mesmo. A música dos últimos vinte anos conseguiu ser muito pior que a produzida em toda a sua história. Grande parte do nossos melhores cineastas já passaram dos setenta anos. O teatro vive da remontagem de clássicos e o que tem de novo não passa de “bonitinho”. O mercado de trabalho vive da obsessão pela produtividade. O risco financeiro impede a ousadia. Nas universidades em tudo se pergunta pelo referencial teórico que o pesquisador está partindo. Ontem repetíamos Marx, outro dia Weber e agora Foucalt. Parece que tudo já está pensado. Estamos sendo testados em nossa capacidade de adaptação ao mesmo. O depressivo ainda resiste. Ele, ao mesmo tempo que revela sua impotência, berra pelo novo ao ficar preso em um quarto escuro e fixado em um ponto de luz na fresta da janela.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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