Uma CONVERSA com minha FILHA sobre PSICANÁLISE…

Minha filha – adolescente – veio visitar meu consultório. Penso que ela esperava encontrar algo parecido com uma clínica médica. Quando viu meu divã – não se conteve – e perguntou para quê servia aquilo. Assustou com a posição da minha cadeira colocada atrás do paciente. Respondi: aqui é o lugar das coisas que a gente não sabe. É o lugar do silêncio, do vazio, do estranho e do escuro de nós mesmos. É o lugar de encontrar o que tem depois do que achamos ser a verdade. Ela me disse que então não precisava de analista porque escrevia sobre tudo isso em seu diário. Respondi que o que ela anotava em seu diário era muito diferente do que acontecia ali. Em seu diário ela virava a página e continuava escrevendo. Ali é pra quando não tem como virar a página. O divã é sem palavras. É o que fazer com o seu silêncio. É o que fazer depois de tudo que você sabe. É para o que existe depois de tudo o que você pensa. Ela ficou me olhando completamente atônita. Fiquei com a sensação que ela não entendeu muito bem o que eu disse. Melhor assim …

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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