Sobre o FÔDA-SE…

Até bem pouco tempo temíamos deus e a lei: a globalização desfez esses medos. Ser livre passou a ser o pressuposto de uma sociedade globalizada. A ideia é a de que todo indivíduo livre desejaria a liberdade dos demais: viveríamos uma sociedade de homens e mulheres livres. A liberdade seria a regra. A sociedade criaria as condições – ainda que formais – para que o indivíduo  pudesse viver o seu sagrado direito de ser livre. Não foi o que aconteceu. Apenas um pequeno grupo pôde exercer o direito de comprar e viajar para onde quisesse. Apenas esse grupo tomou para si todo o poder econômico, político e midiático. Para os incapazes restaria crer que se tratava de uma questão de incompetência pessoal para tal: uma questão de saber ou não administrar a liberdade que lhe foi creditada. Perdeu o emprego? Está com fome? Fôda-se. Perder o emprego não é o mesmo que perder a liberdade. É uma escolha individual ficar desempregado e viver na miséria. A globalização creditou tudo ao indivíduo. A globalização depositou em cada um a responsabilidade por seus atos para o bem e para o mal. Se morreu de fome foi por incompetência. Pobre do idoso que não soube administrar sua velhice! A individualidade é o único bem. Esquecemos as desigualdades de condições. Não nos implicamos nas tragédias. Fazemos política visando nosso poder particular. Fazemos política como bem privado. Política para meu grupo ou classe. A mim tudo e ao outro fôda-se. É o fim …

Evaristo Magalhães – Psicanalista.

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2 comentários sobre “Sobre o FÔDA-SE…

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