MÚSICA RUIM e MÚSICA BOA …

Música boa tem algo a dizer. Visa a experimentação estética. Busca um novo som. Inova melódica e poeticamente. Prima pelas palavras e rimas. Expressa ritmos e batidas lúdicas. Denuncia as injustiças sociais e as formas de dominação ideológica. Usa timbres diversos. Visa ser decifrada. Embala, diverte e eleva. Letra e melodia deslizam entre si. A poesia ecoa sobre os instrumentos. A emoção de cada palavra cola em agudos e graves afinadíssimos e delicadamente expressos. Exige uma certa inteligência para ser apreciada. Música ruim visa entreter e eletrizar a massa. Forja um vocabulário de fácil absorção. A repetição rítmica e hipnótica visa a provocar o máximo de catarse. A ordem é tirar a galera do chão e de um cotidiano estressante e individualista. Busca energizar os reflexos mais imediatos. Altera – freneticamente – a respiração e os batimentos cardiacos. Estatala os olhos. Explora o grito. A galera obedece – automaticamente – a todos os comandos do artista. Libera o máximo de recalque. Quebra tudo. Está sobremaneira associada ao álcool e a outros excitantes. Vai do erótico ao pornô. Pura estereotipia. Pouca criatividade. Explicita a intimidade de forma grotesca. Escancara a que veio. Uma grande apoteose de corpos objetificados. Uma enorme vitrine móvel exibicionista. O máximo de liberação dos impulsos. Música dos sentidos mais primitivos. Exige pouca inteligência para ser absorvida.

Evaristo Magalhães – Psicanalista.

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