Sobre a SERENIDADE…

Dizem que serenidade é se desconectar dos problemas da vida. Isto não é serenidade. É fuga. Supondo que isto seria possível, ainda assim viveríamos perturbados pela exigência de manter tal desconexão. Por que não suportamos uma vida de opostos? Por que vivemos iludidos em busca de uma vida paradisíaca? Será que existe este estado nirvânico tão apregoado pelos orientais? Não acredito. Não é possível uma vida equacionada de conflitos. Uma vida serena já é uma vida obcecada pela serenidade. Serenidade não é superação das diferenças. Sereno é quem sabe se arranjar com seus opostos. A matemática não nos dá serenidade. A filosofia é a busca da sabedoria. Não se trata de combater. Não existe vitória. Se conquistássemos a perfeição iniciaríamos uma luta torturante para não perdê-la. Não se trata de quem ganha ou de quem perde. Serenidade é dar conta de olhar para o que nos incomoda sem dor. É a capacidade de contemplação sem incômodo. É mais ver que pensar. É mais encontro que questionamento. Não é julgar. É cessar de lutar contra o invencível. É vê-lo com humildade e doçura. Temos que dar conta de criar algo admirável do trágico. Temos que fazer poesia da dor. Não há vida sem dor. Não há ciência da dor de viver. Qualquer promessa nos escraviza. Serenidade é mudar o jeito de ver. A arte não tem a pretenção de resolver. Os artistas nos mostram sem nos aterrorizar. A ciência nos angustia. A filosofia nos obceca. Só a arte pode nos salvar!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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