Sobre o SUICÍDIO…

As histéricas de Freud ocupavam suas mentes com cegueiras e paralisias. Todos estamos vulneráveis às perturbações psicológicas. Alguns conseguem reagir bem. Outros nem tanto. Todos os sintomas são inventados para tomar o lugar dos nossos medos inconscientes. Há aqueles que assumem as dicotomias da vida e tentam sobreviver como podem. Há aqueles que colocam no lugar desses medos as famosas doencas psicossomáticas. E há aqueles que não os suportam e possuem dificuldades crônicas para lidar com as certezas da vida: gostariam que tudo fosse diferente. Têm pânico das perdas e dos desafetos. Desafortunados de maturação psicológica, preferem resolver de forma imediata. Optam por colocar um fim em tudo. O suicídio não deixa de ser uma solução de compromisso. É também um ato que faz parte do desejo de não querer enfrentar a vida no que ela tem de mais trágica. Não entendo como um ato de covardia. O suicida tocou a vida em carne viva. Não gostou do que viu e escolheu não viver. Nem todos conseguem ludibriar suas mazelas. Somos também apresentados a elas. O tempo todo somos desafiados. Há aqueles que não aceitam o desafio e preferem adiantar o desfecho final. Só nos resta respeitar esse direito. Por mais que não queiramos admitir, ele também nos é colocado enquanto existentes.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s