Sobre as COMPULSÕES por COMIDA, DROGAS e PESSOAS…

Muitos querem viver um mundo paradisíaco. Na verdade, essa fantasia veio do útero materno. Durante nove meses vivemos um mundo pleno. Ao nascer, passamos o resto da vida tentando retornar a esta zona de conforto. Conheço gente que parece que nunca saiu de lá.

O compulsivo  quer é retornar à vida perfeita do ventre materno. Comprar funciona como um anestésico.

Nascer significa romper com o equilíbrio simbiótico mãe/filho. Nascer significa ter que lidar com as intempéries do corpo e do mundo.

O compulsivo não suporta ser contrariado: compra até atingir um estado de plenitude emocional. Gasta ao ponto de chegar a uma espécie de coma consumista. Endivida com a ilusão de formar com as sacolas a mesma célula do prazer materno. Comprar é a rota de fuga da vida real. Todo compulsivo vive em busca da homeostase fetal.

A vida é contradição: fato constantemente negado pelo olhar compulsivo fissurado nas vitrines. Acho que todo dependente – no fundo – quer é atingir um estado ainda mais profundo que o gestacional: um estado inorgânico zero de dor próximo ou igual a morte.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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