Sobre o FIM DO MUNDO…

Lembro dos documentários do Globo Repórter e dos clipes do Fantástico das décadas de 1970 e 1980. Tínhamos mais cultura. Drumond, Bandeira e Clarice. A literatura circulava. Produzimos uma riqueza literária que teríamos que nascer de novo para criarmos algo semelhante. Hoje, ter dinheiro basta. Uma boa conta bancária resolve as inseguranças da vida. Rivotril faz esquecer. Incorporamos o modus vivente do consumo. Compra ali, troca aqui e acumula acolá: carrões, restaurantes e viagens.  Ter para onde ir. Pagar pacotes. Comprar. Melhores hotéis. Malas entupidas do free shopping. Visitar New York. Este é o tom das conversas. Boa conta bancária e nada a se preocupar. Arte é perfumaria. Não há tempo para dúvidas existenciais. A saída é engatar uma viagem na outra. Com dinheiro não há tempo para sofrer. Li sobre uma mulher que tatuou o rosto do marido na perna. Detalhe: a tinta era das cinzas dele. Ritalina. Coaching. Neurociência. Tecnociência. Cinquenta tons de cinza. Silicone. Jogos vorazes. Anabolizantes. Paulo Coelho. Concurso Público. Funk. Sertanejo Universitário. Pegação. Aquecimento global. Não é o fim???

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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