AMIZADE & SOLIDÃO…

Vivemos poucas experiências de amor ao longo da vida. É fato que conhecemos muita gente. No entanto, não amamos todo mundo.

Com poucas pessoas nos sentimos livres. Podemos contar nos dedos aquelas que confidenciamos nossas intimidades.

Nem todo mundo consegue viver relações de fato. Contudo, não ser intenso com todo mundo, não significa a impossibilidade de ser intenso – ao menos – com alguém.

Viramos consumidores de tecnologias diversas. Estamos substituindo a presença do outro pela presença de dispositivos artificiais.

Estamos perdendo a nossa espontaneidade de viver. Os objetos estão tomando o lugar das pessoas. Estamos trocando o diverso pelo mesmo.

Quantas pessoas nos amam livremente? Quantas pessoas nos conhecem como realmente somos? Quantas pessoas nos gostam em nossas verdades? Quantas pessoas nos receberiam de braços abertos em nossos momentos mais difíceis?

Pelo distanciamento do outro, estamos cultivando – em nós mesmos – uma insegurança que pode vir a nos custar muito caro.

Não estamos mais seguros de que podemos contar com alguém. Estamos pouco tolerantes quando nos é custoso.

Buscamos – como as máquinas – pessoas indefectíveis. Nosso amor não quer ser perturbado. Nosso amor não quer dar provas de amor. Queremos um amor que não nos tire da nossa zona de conforto.

Estamos optando por um amor sem história. Por um amor sempre o mesmo: frio, calculista e distante.

Nosso amor está se perdendo em um falso amor. Nosso amor não sabe amar na diferença. Nosso amor não mais cresce. Nosso amor é sem profundidade.

Isto não é amor: é vaidade, poder arrogância e solidão.

Estamos dando adeus à alegria de conhecer o que é a vida na diferença.

Amar é aprender a se descobrir em um outro que sou eu no meu contrário.

Estamos com mais tempo para as coisas que para as pessoas. A questão é que as coisas nunca serão a nossa melhor companhia quando fomos tomados pela solidão que coisa alguma pode suprir.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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Um comentário sobre “AMIZADE & SOLIDÃO…

  1. Alexandre disse:

    Há alguns anos quando passei por um divórcio conturbado eu tinha uma centena de amigos, porém em meio a crises a dogmas religiosos fui completamente isolado das pessoas que não queriam amar com desgastes, descobri ai Evaristo que amigos e uma coisa rara, em uma multidão achei apenas um com que pude ser quem eu sou, cheio de defeitos, com limitações e com muitos erros, entendi que as pessoas na verdade gostam de poder de dinheiro de tudo menos de pessoas, ai então passei a ser mais seletivo e não me preocupar com oque os ditos amigos pensam, pois sei que em momentos difíceis poucos estarão lá. Estes sim Professor Evaristo são textos que podem ser relevantes na vida de pessoas cada dia mais a sós, este texto eu parabenizo.

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