Nunca OBRIGUE ninguém a te AMAR …

Estamos acostumados a dar e a receber. Sempre esperamos algo em troca. Fazemos investimentos e criamos expectativas.

É assim que o mundo gira.

Estamos sempre de prontidão por algum retorno. Sofremos quando não vem o que gostaríamos.

No entanto, amar não é uma espécie de mercado financeiro. O afeto não é uma coisa: não pode ser medido, calculado e não resulta de uma abstração.

Não possuímos um depósito de cotas de amor para ser trocado. A afeição só é válida se for LIVRE. Se forçar, não é afeto e, sim, dívida. Se for obrigado, não é amor e, sim, servidão.

Dar afeto não significa – necessariamente – receber afeto. Só será afeto, se vier espontaneamente.

Amor não é uma relação de causa e efeito. Não existe dívida de sentimento. Ser afetuoso é o maior exercício de liberdade que existe. Dar afeto é dar amor e, depois, jogar ao vento. O amor é sem garantias. É pura generosidade.

Exigir de volta detona com o sentimento. Exigir correspondência não é amor, e sim, carência. Cobrar não é gostar, e sim, constranger. Insistir é assédio.

O afeto só é válido se for de graça. É dar sem esperar. É dar e se preparar para a possibilidade da solidão. Só o amor traz a perda junto. O afeto é feito de instantes que podem – ou não – voltar.

Amar é respeitar a vontade alheia. Ama quem deixa o outro livre para escolher – inclusive – se vai querer continuar amando.

Posso – na minha solidão – desejar de novo. Posso – na minha solidão – apenas torcer para que o telefone volte a tocar. O que faz uma pessoa querer estar conosco? Jamais saberemos!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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