Menos ARROGÂNCIA, por favor.

Freud foi genial quando afirmou que não existe o objeto do nosso desejo. Sofremos porque  as coisas nunca são como gostaríamos. Passamos a maior parte do tempo incomodados. A rotina é uma tentativa de não ter que se a ver com a diferença. Adoramos o que podemos controlar. Aproximamos do que satisfaz nossa vontade. A mesma padaria. Um padrão de roupa. O mesmo trajeto. O assunto de sempre. As mesmas estratégias. O transtornado obsessivo e compulsivo tem pânico quando a lógica de sempre falha. A realidade é sempre mais complexa que nossa imaginação. O mundo desafia nossos desejos. E a experiência do pão da padaria que – naquele determinado dia – não saiu como esperado? São estas pequenas perdas que colocam em xeque nossa capacidade de lidar com o adverso. Seria possível uma matemática que não fosse tão exata? Um lógica menos maníaca? Rezamos para que tudo funcione de acordo com o que desejamos. Criamos as profecias ou acreditamos na sorte. Nada pode impedir o adverso. Há o óbvio: envelheceremos e perderemos entes queridos. O problema é o que não sabemos. Pouco sabemos. Há um desenrolar passando ao largo. Os arrogantes acham que não. Não acreditam no efeito surpresa. Não podemos agir negando o nada ou negligenciando nossa impotência. Somos mortais. Perdemos a cada segundo. Até quando insistiremos em negar?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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