SOBRE PERDER UM AMOR POR PICUINHAS …

Vejo – quase diariamente – pessoas perdendo a oportunidade de viver belas e intensas histórias de amor por puro preconceito ou por apego à tradições que não fazem o menor sentido.

Lembro de uma amiga que mantinha um caso bacana e colocou tudo a perder quando descobriu que o cara era casado. Vi um casamento de vinte anos terminar quando a esposa propôs uma relação à três.

O que mais importa, a forma ou o conteúdo? Alguma ou nenhuma presença? O que idealizamos ou a realidade?

Por que não flexibilizar  em nome do vínculo afetivo? Não estou dizendo que devemos aceitar tudo.

A questão aqui é o que mais importa. É o amor ou o status quo? A  configuração ou o sentimento?

Estamos em tempo de questionamentos e experimentações. Estamos pondo nossos valores à prova – o que não significa que vamos deixar de nos servir de todos os nossos valores. Estamos fazendo uso de nossos princípios não por cima ou na nossa frente e, sim, do nosso lado.

Preceitos estão ficando para trás. Novos conceitos e atitudes estão surgindo à cada segundo.

Desejar uma relação fora dos padrões pode não significar desafeto.

Fundamental é ver cada caso. É rotineiro relacionamentos terminarem por intolerâncias infundadas por parte de um dos parceiros. É comum namoros sendo detonados porque um dos parceiros queria um pouco mais de liberdade.

São histórias bacanas sendo sucumbidas por preconceitos e convenções sociais.

Ao resolvermos finalizar qualquer relação – seria interessante – perguntarmos sobre os motivos que estariam nos levando ao rompimento. O critério sempre deveria ser a falta de tesão, maus tratos ou violência.

Quantos vínculos não estão sendo desfeitos por picuinhas? Por que não virar uma bela amizade depois de tudo ?

Podemos quebrar certas convenções em nome do vínculo afetivo? Sim. O amor não deveria ter qualquer conotação moral.  No amor pode tudo – menos dor e sofrimento.

O amor é que deveria ser o critério absoluto . Não estou preocupado com a forma das relações. Interessa-me – sobretudo – a qualidade do vínculo. Importa o equilibrio, o respeito, a cumplicidade, o consentimento e o sentimento.

Evaristo Magalhães – psicanalista

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3 comentários sobre “SOBRE PERDER UM AMOR POR PICUINHAS …

  1. Pinheiro Filho disse:

    Texto maravilhoso, e seu trabalho também. Não existe ofício maior do que arrancar os grilhões que nos prendem a culpa. “As pessoas deveriam ser proibidas de sofrer.” Alguém já sofreu por amor ?………Então não era amor.

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