SUPERPROTEÇÃO

Excesso de zelo detona a independência. País controlando os filhos pelo celular e pelas redes sociais. Pais falando por seus filhos. Autonomia é a capacidade de se dar as próprias normas. Estamos diante de uma geração – em pânico – quando não está sob os cuidados de seus genitores. A superproteção infantil vem sendo estendida para a vida adulta. É quase como se os pais fossem a extensão dos próprios filhos. É quase como se filhos e pais não conseguissem respirar sem a ajuda um dos outro. É mais que uma dependência afetiva. É um vínculo tão complicado que cria uma compulsão entre amar e o desespero de perder. Difícil saber quem precisa de mais cuidados: se são os país ou os filhos. Mães que ligam desesperadas porque a filha esqueceu de avisar que chegou. Mães que ligam, várias vezes, durante o passeio do filho ao Shopping. Universidades que estão fazendo reunião de pais. Pais absolutos. Na ausência mínima, os filhos ficam no vácuo. Tempo de permanecer a vida toda no útero. Tempo sem cortes. Tempo de relações submetidas. O outro – que não o meu – é sempre uma ameaça. É complicado tentar compensar o medo com excesso de cuidado. É aprender a sobreviver para além do núcleo familiar. Os filhos parecem acuados quando não estão sob os olhos dos pais. Só sabem agir tendo como referência o amor incondicional que receberam. Respondem com hostilidade quando não são correspondidos. Ou seja, conduzem muito mal as situações mais corriqueiras. Tempo de pouca reflexão. Tempo de isolamento. Tempo de muita vulnerabilidade e de pouca independência. Tempo de radicalismos. Tempo do tudo ou nada.

Evaristo Magalhaes – Psicanalista

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