Quando o trabalho adoece o ser humano…

O mundo ficou muito mais complexo nos últimos anos. Hoje somos muito mais cobrados – haja visto o alto índice de sofrimento mental da população. A mente não está dando conta de tantas tarefas. Vivemos eletrizados. Já acordamos exaustos. Nesse contexto, o corpo encontra na doença um jeito de dizer que não está suportando mais. A urgência ultrapassa a nossa capacidade de responder. Estamos perdendo o controle. Nossas forças não estão dando conta. O amontoado de coisas não deixa espaço para o descanso e para o lazer. Não existe mais a lógica de uma atividade por vez. Estamos nos perdendo em meio a um turbilhão de tarefas. Estamos fissurados pelo TER. Não há mais intervalo. Os fins de semana encurtaram-se com tantos planejamentos e cobranças. Trocamos o lazer pela disciplina. Tempo é eficiência e produtividade. O trabalho invadiu o espaço da nossa intimidade. O trabalho perdeu sua especificidade espacial e temporal. Vivemos envoltos a exigências por metas. Há sempre um risco. Há um desassossego. Há uma inquietação. Há muita fadiga. Há uma distorção entre a mente que cobra e o corpo que sofre. Há um descompasso grave. Há um eu tirânico do faça o tempo todo. É fazer ou fazer. Como fazer sem morrer? Adoeça ou desconecte-se.

Autor: Evaristo Magalhães – Filósofo e Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s