Não há AMOR sem DOR…

Os existencialistas davam um sentido positivo para a angústia quando a definiam como nada. Só buscamos o que não possuímos. É a sensação de falta que nos impulsiona ao novo. O vazio funciona como um ponto de partida contra a mesmice. O nada é movimento de vida. Amar sem dor é viver no vácuo. Numa sociedade do “tudo muito fácil” ninguém precisa angustiar para conseguir o que quer. Não há medo. É o risco que faz o motorista parar no sinal vermelho. É o medo da solidão que faz o amante cuidar da amada. Sem dor, não há motivo para seguir. Só quem não ama é que não sofre. Lutamos porque desejamos suprir um vazio. Perdemos e conquistamos  enquanto vivemos. Sem o vazio não há psiquismo. É a angústia que nos liga ao outro. Sem angústia não há coletividade. A vida segue movida pela sensação de que falta algo. É fundamental para a boa vida o receio da perda. O medo da solidão exige renovação diária. É uma dor necessária. Não podemos perder a capacidade de amar – sob o risco de ficarmos expostos à solidão radical. O fracasso de amar nos torna amargos e queixosos. Estamos nos acovardando de viver a positividade da dor de amar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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