Quem pode quere SER FELIZ se não for por AMOR?

Na solidão todos os nossos dramas vêm à tona. A tristeza pode nos paralisar. Quantos não estão agora mergulhados na depressão e na melancolia? Tudo isso porque não conseguimos controlar nosso destino. Pode ser desperador não saber o que vai acontecer amanhã. Podemos perder as pessoas que amamos. E o futuro do planeta? E as doenças? A ciência não consegue explicar tudo. Ninguém nunca voltou para dar notícias sobre a vida eterna. A humanidade inventou o amor como antídoto para todas as incertezas da vida. Amar pode nos livrar dos desesperos provocados pelos enigmas do mundo. Só o amor nos enoda em laços que amenizam as nossas agruras. Qualquer amor pode ser um bom remédio: amor de pai, mãe, irmão, amigo, amante, namorado ou namorada. Amar a arte, a música, o cinema, a literatura e a dança, também pode nos ajudar a viver com um pouco mais de tranquilidade. Pode ajudar, também, esperar o próximo filme de Wood Allen, experimentar novos sabores culinários, visitar lugares interessantes ou procurar um grande amigo que não se vê há anos. Não há quem não tenha alguma angústia, porque angustiar é parte do fato de que não possumos todas as respostas. Criamos o péssimo hábito de achar que podemos nos realizar prescindindo de alguma companhia. É a arrogância do “eu me basto” com minha conta bancária, com meu cirurgião plástico, com meu cabeleleiro ou com meu personal trainer. Com o tempo o dinheiro pode acabar, a pele pode envelhecer e o corpo pode perder em vitalidade. E aí? O que oferecer como atrativo? Como não foi firmado nenhum vínculo afetivo mais profundo com alguém, resta a solidão nua e crua e a sensação da mais completa inutilidade. Resta contar com o milagre da solidariedade, da compaixão ou da generosidade de uma alma boa, ou contar com a caridade de alguma instituição criada só para atender os desabonados da vida. Ao que tudo indica, em breve, teremos um significativo número de pessoas morando em casas de apoio sem esboçarem qualquer queixa por nunca terem recebido qualquer visita. O mundo atual está sofrendo de uma incapacidade absurda de amar. Tudo isso é muito sério. 

Autor: Evaristo Magalhães – Psicanalista Clínico

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4 comentários sobre “Quem pode quere SER FELIZ se não for por AMOR?

  1. “Criamos o péssimo hábito de achar que podemos nos realizar prescindindo da companhia das pessoas. É a arrogância do “eu me basto” com minha conta bancária, meu cirurgião plástico, meu cabeleleiro e meu personal trainer. Com o tempo o dinheiro pode acabar, a pele pode envelhecer e o corpo pode perder a vitalidade. E aí? ” Ótimo texto em que retiro esta pergunta que com certeza ecoa em Alto e bom som em nossas mentes,

  2. Maria Beatriz Martins da Anunciação disse:

    Deve ser compartilhado com aqueles que nos sentimos bem e que estão em nossa volta. O individualismo exagerado é uma forma de fingir que observa o interior, mas esconde o verdadeiro temor…. o medo e a insegurança em se lançar aos braços e delicias do outro. Claro há desilusões, dores e outras decepções, mas vale cada segundo, pois com isto crescemos e aprendemos a viver a vida, sabendo que há gente lá fora. E que elas são necessárias para nosso crescimento interior, profissional, social entre outros detalhes …. Com o um dividimos, porém, com dois compartilhamos. O individualismo exagerado nos faz dividir tudo, cama, espaço, tempo, exigimos do outro e queremos que o outro nos sirva a um propósito, entretanto, AMOR compartilhamos tudo, cama, beijos, sem desespero, sem cobranças, sem divisão mas com complementação.

  3. Edna Sônia Batista disse:

    Mas hoje em dia, amar está fora de moda, quem ama as pessoas e as respeitam são taxados de bobos, parece que houve uma total inversão de valores…ou eu sou et nesse planeta.

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