Sobre viciados em INTERNET.

Fui perguntado sobre os impactos psicológicos de ficar muito tempo conectado ao mundo virtual. Acompanhei o caso de um adolescente que passou a sofrer de síndrome do pânico e de delírios de perseguição depois de trocar o mundo real pelo virtual. Por que isto pode acontecer? Questões vindas ambiente externo podem nos importunar. Carregamos desejos, fantasias e medos que podem nos levar à loucura. Durante séculos inventamos diferentes caminhos para tornar estes medos menos perturbadores. Criamos a família, a sociedade, as artes, a literatura, a ciência e a filosofia. A ideia era preencher o vazio humano via encontro com o outro ou com algo produzido por ele. O outro sempre foi o nosso melhor horizonte – com sua presença afetiva e com suas produções artísticas e intelectuais. Sabemo-mo-nos “normais” porque temos o outro como parâmetro. Aliás, tudo o que somos devemos à ele – nossa melhor referência. Ficar conectado o tempo todo ao mundo virtual, pode levar os internautas a um encontro com um outro irreal. O outro da tecnologia pode não nos propiciar vivências de fato. Pelo contrário, pode nos mergulhar em um delírio megalomaníaco – quando na vida real não podemos muita coisa. É na relação com o desigual que aprendemos a elaborar nossos enigmas existenciais. Nesse sentido, o mundo virtual não nos aponta algo realmente capaz de nos preparar para lidarmos com nosaas questões. Sem o outro real ficamos à deriva. Podemos deprimir ou surtar, quando os conflitos baterem à nossa porta. É o outro – com suas semelhanças e diferenças – que nos ensina quem somos, o que devemos  e o que podemos. Negligenciar os instrumentos  literários, artísticos, filosóficos e psicanalíticos, pode nos vulnerabilizar para o encontro com o estranho de nós mesmos. A cultura nos situa no mundo e alivia o peso dos nossos enigmas. É ela que dá sentido à vida. Vivenciar situações de conflito é fundamental para aprender a arte de viver. Nossos jovens estão perdendo os grandes referenciais que guiaram a humanidade ao longo de toda a sua trajetória. Precisamos trazer esta questão à baila. Do contrário, a compulsão virtual corre o risco de virar um grave problema de saúde pública. Tenho amigos que entram em pânico quando – por um acaso – esquecem o celular em casa.

 

Autor: Evaristo Magalhães – Filósofo e Psicanalista

 

 

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4 comentários sobre “Sobre viciados em INTERNET.

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