Sobre a FRIEZA e a INDIFERENÇA…

É problemático levar o individualismo às últimas consequências. Lembro de uma mãe dizendo que não ia se envolver no relacionamento da filha que estava sendo maltratada pelo marido. Estamos perdendo a capacidade de atacar o mal. Na verdade não sabemos mais o que é o mal. Ele está banalizado. Nunca se ouviu tanto a expressão “foda-se”. O problema é sempre do outro. Mesmo quando ele não tem culpa alguma. Isto é muito sério! Não sabemos mais calcular o quanto estamos desregrados. Perdemos o esclarecimento e a capacidade de lidar com os absurdos. Hoje acontece as mais estapafúrdias situações e permanecemos inertes. Conseguimos manter nossa “vidinha” indiferentes às tragédias. Perdemos a noção do dever. Não sabemos o que é bom senso. Esquecemos a doçura. Perdemos a compaixão. Paramos de pensar nas consequências previsíveis das ações. Parece que estamos dopados pelo consumo e por tarjas pretas. Vemos catástrofes anunciadas e nos calamos. Estamos indiferentes pensando que vamos passar ilesos. Achamos que nada nos respinga. Perdemos a capacidade de deliberar corretamente sobre o bem e o mal. Perdemos o senso do dever. Estamos sem direção. Não sabemos a que fim queremos chegar. Existe a boa deliberação. Existe a boa decisão. Existe a boa ação. Existem os bons meios. Há fins adequados. As pessoas não podem sair por aí desnorteadas. O equívoco existe. Não podemos dispensar os valores. Estamos em uma espécie de sabedoria louca. Perdemos os critérios de escolha. Não há mais comparativos. Não há o exame das vantagens e desvantagens. Perdemos a capacidade de saber viver. Parece que concordamos com tudo. Perdemos a capacidade de antecipar as coisas. Estamos deixando acontecer e pagando pra ver. Não estamos mais atentos ao  que pode acontecer. Prudência significa prever e prover. Não se pode viver apenas o instante. Não se pode chegar sempre pelo caminho mais curto. Precisamos saber o que é necessário escolher. Precisamos atentar para o que é necessário evitar. Precaução – sempre. Vivemos com medo e  com covardia. Há fins estimáveis e fins abomináveis. Há meios adequados e inadequados. Há comportamentos moralmente condenáveis. Há riscos que ocasionam sofrimento. Primeiro – não prejudicar. Depois – proteger. Precisamos preservar os direitos e as oportunidades de uma humanidade futura. Precisamos resgatar – urgentemente – a inteligência e a sensibilidade de viver.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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Um comentário sobre “Sobre a FRIEZA e a INDIFERENÇA…

  1. Edna Sônia Batista disse:

    Eh a inversão de valores, falta de amor solidariedade com o PRÓXIMO.
    AS PESSOAS ESTÃO APERTANDO O ” BOTÃO DO FADA-SE” PARA TUDO E PARA TODOS!

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