O QUE É A VERGONHA?

Caetano Veloso diz que Narciso acha feio o que não é espelho. Ou seja, só olhamos para o que reflete o que queremos ver.

E o que não queremos ver? O que fazemos com isso?

Não seria a arte, a filosofia, a ciência e a religião formas de espelhos que inventamos para nos refletir – e sem mostrar o que não queremos ver em nós mesmos?

Contudo, nada nos livra disso que é nosso e que negamos enxergar – ainda que tenhamos sob nosso poder toda a arte, toda a filosofia, toda a ciência e toda a religião do planeta.

A psicanálise quer nos fazer chegar nisso que a humanidade só foi possível tentando esconder.

Contudo, ainda nos resta a vergonha de nos ver – mesmo depois da escuta do psicanalista ter nos retirado todos os espelhos da arte, da filosofia, da ciência e da religião.

A vergonha mais difícil não é a de se mostrar pelado, em seus erros ou em suas contradições.

A vergonha mais difícil é a de se dar conta de que nenhum recurso que utilizamos para nos ver como queremos é suficiente para a esconder o que mais tememos em nós mesmos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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QUAL A MEDIDA IDEAL DO SENTIDO DA VIDA?

Ninguém vai nos dar o amor que queremos, ninguém que morreu voltou para nos assegurar do que diz a religião e não existe a sociedade que sonhamos.

O outro é uma decepção? Sim. A religião é uma ilusão? Sim. Existe alguma ideologia que dê conta de toda a complexidade da sociedade? Não.

Parece que nada faz muito sentido.

No entanto, necessitamos de sentido – com a condição de que essa necessidade não vire uma obsessão.

Quem não quer um grande amor? Alguém conseguiria sobreviver no vazio? Como não lutar por um mundo melhor?

Queremos o amor, Deus e a igualdade. No entanto, pouco sabemos sobre o amor, Deus e igualdade social.

Portanto, queremos – mas não sabemos como e onde encontrar o objeto do nosso querer. Ou seja, precisamos querer – mas sem poder querer demais.

O sentido da vida é aquilo que temos que buscar – mas deixaremos de encontrar exatamente quando quisermos encontrar demais.

Qual é a medida ideal do sentido da vida? Eis a questão.

VOCÊ SOFRE DE PENSAMENTO ACELERADO?

Quando conversarmos com as pessoas não podemos falar tudo o que quisermos e não podemos esperar que digam só o que queremos ouvir.

É possível conviver sem esse incômodo? Não. A não ser que saiamos da realidade e passemos a viver em total introspecção.

Assim são as pessoas que possuem pensamento acelerado.

É a angústia da convivência a dois que faz com que optem por viver apenas dentro de si mesmos. É essa angústia que querem eliminar quando pensam compulsivamente porque acreditam que desse modo encontrarão a verdade que procuram.

Essas pessoas não dormem, não têm sossego e são mentalmente elétricas porque são fissuradas na verdade.

Passam por cima de tudo porque querem encontrar um lugar mental perfeito, puro e eterno. Como esse lugar não existe, esse vício só pode acabar em loucura.

QUAL É A VERDADE DO AMOR?

Quando amamos queremos mais e mais amar. Ou seja, não nos perguntamos acerca dos motivos que nos fazem querer amar de modo tão enlouquecido.

Ninguém duvida de que o amor é uma coisa muito boa. No entanto, o amor não é um sentimento separado de seu oposto – e que ele mesmo quer tamponar.

A questão é que achamos que se amarmos mais e mais iremos suprimir isso que é o contrário do amor. Ou seja, só intervimos do lado do amor. Sequer tocamos seu avesso.

Há um nível subterrâneo e perturbador do amor.

A verdadeira saída não deveria ser achar que é amando loucamente que conseguiremos purificar o amor desse seu lado esquisito.

O verdadeiro ato de amar é intervir nesse domínio subterrâneo e obsceno do amor – transformando-o.

O QUE É RESPEITAR AS DIFERENÇAS?

Lacan diz que ao me comunicar recebo de volta do outro a minha própria mensagem de forma invertida, isto é, verdadeira.

Isso quer dizer que quando amo muito, a tendência é que o outro me ame de menos – como uma forma de defesa sua ao meu sufocamento.

Somos antagônicos. Dependendo da força que usarmos a favor de uma bandeira qualquer, seguramente, acenderemos – no mínimo com a mesma intensidade – a força contrária à ela.

Por mais que queiramos, nunca vai existir o amor que gostaríamos. Como não existe medida para o amor, as pessoas ficarão o tempo todo com o pé atrás receosas da configuração agressiva que nosso amor poderá vir a tomar.

Tudo pode ser uma coisa ou outra. A questão é que só queremos uma coisa e jogamos a outra para debaixo do tapete. Doce ilusão! Essa coisa que queremos não existe sem essa que queremos ver longe. O lado avesso vai se formando no mesmo instante em que decidimos querer o lado direito.

Os opostos não se fundem porque existe uma lacuna instransponível entre eles. O problema é que não conseguimos habitar essa lacuna. Ou seja, só queremos o lado bom da vida. Só o lado bom não existe.

Desse modo, na vida, temos dois caminhos: habitamos essa lacuna e temos alguma paz na convivência das diferenças ou viveremos uma eterna guerra contra o que carregamos – e não admitimos em nós mesmos.

POR QUE AS PESSOAS ENLOUQUECEM?

Há quem leve a sério demais certas coisas – e acaba enlouquecendo com isso.

Não podemos levar muito a sério – por exemplo – a fé em Deus. Qual quantidade de fé preciso para me convencer temente a Deus? É possível quantificar? É possível medir? Não.

É por isso que o crente se fanatiza. Como não é possível demarcar o quanto de crença se faz uma crença, ele vai crendo até surtar de tanto crer.

Como Deus não é uma pessoa concreta, ele fica o tempo todo escutando vozes de que sua fé ainda não está de acordo com a vontade de seu criador. Ou seja, ele se torna escravo do caminho que ele mesmo inventou para supostamente se salvar.

Não dá pra levar as palavras muito a sério. As palavras não são as coisas. Enlouqueço se eu resolver procurar a palavra maçã dentro da fruta maçã. Jamais conseguirei enxergar as ideias que tenho dentro do meu cérebro.

É preciso gostar das palavras como outra coisa completamente diferente da realidade. É preciso entender que para ter sentido na vida só crer que crer já é suficiente. Ou seja, não é necessário buscar um objeto para materializar a crença.

Fora isso, é tudo loucura!

POR QUE GOSTO DE PERDER?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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Vivemos querendo fundir o que não suportamos no que mais desejamos. Doce ilusão!

Somos lados que não se dialogam, não se tocam e não se absorvem.

Não podemos esquecer que o avesso não existe sem o direito. É o medo da perda que nos faz cuidadosos de quem amamos. A alegria não faria o menor sentido sem a tristeza.

Sofremos porque queremos colocar o lado bom na frente do lado ruim. Contudo, só conseguimos puxar nosso amor para frente quando alguém tenta puxar quem amamos para trás.

Sabemos que toda pessoa possessiva tem pavor de perder. Portanto, não é benéfico para o amor ter pânico do abandono. Há um ponto da perda que é importante para amor. Saber essa medida é que é o nó da questão.

Não ama quem não se importa em perder e – também – não ama quem se importa demais em perder. O primeiro é arrogante e o segundo é carente.

É preciso gostar – em alguma medida – da perda porque é ela que nos impulsiona para o amor – e sem que isso figure na relação como medo, ansiedade, insegurança ou revolta.

QUAL O VERDADEIRO CONTEÚDO DA VIDA?

Muitos acham que ter conteúdo é ser inteligente, rico e bonito. A verdadeira consistência da vida não tem nada a ver com isso.

Curiosamente – em se tratando de existir – quanto mais consistentes achamos que estamos, mais inconsistentes nos tornamos. Melhor, quanto mais inteligentes, bonitos e ricos ficamos, mais próximos ficamos do que usamos tudo isso como fuga.

A questão é que a verdade que somos nada tem a ver com essa inteligência, riqueza e beleza que tanto buscamos. Tudo isso só nos leva de volta para o que somos – e que é o oposto disso tudo.

Podemos ter todos os diplomas, todo o dinheiro e toda a beleza do mundo que tudo isso só nos escancará do que mais consistimos – que é puro vazio.

Nesse contexto, então, inteligência, riqueza e beleza só fazem sentido se nascerem conectadas do que somos de nada de conteúdo? Sim.

É possível produzir ideias, dinheiro e beleza do nada? Produzimos ou não teremos sossego porque esse nada é a verdade que somos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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