NINGUÉM OCUPA NENHUM LUGAR NA VIDA DE NINGUÉM …

Ninguém ocupa lugar algum na vida de quem quer que seja. Ninguém ocupa lugar algum na sociedade, na política e na cultura. Não ocupa, porque esse lugar não existe.

Esse lugar é uma ilusão porque não é possível uma ideia fixa de pessoa, sociedade, política e cultura. Não existe conceito que não seja faltoso.

Portanto, se tivéssemos que ocupar algum lugar, esse lugar jamais seria tão purificado, equilibrado e perfeitinho como parece.

Nada e nem ninguém – que faça parte do universo humano – existe fora de suas pulsões inconscientes e destrutivas. A ideia de sociedade só é possível porque execra de si tudo o que entende como sendo anti-sociedade. A ideia de política lembra a ideia de partido, que lembra a ideia de grupo, que lembra negociações, acordos e interesses.

Portanto, se ocupamos algum lugar no mundo, esse seria o do não-lugar – no sentido de denunciarmos o avesso de tudo que se apresenta como tendo só um lado.

A pessoa que acha que já se encontrou, seguramente, não tem noção da infinidade de bizarrices que estão por detrás dos conceitinhos bonitinhos e limpinhos que ela tanto idolatra.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O AMOR É A NOSSA ÚNICA SALVAÇÃO …

O que somos de pulsão agressiva nunca desgruda de nós. Pode acontecer de um simples olhar gerar uma catástrofe.

O que nos faz ser cuidadosos com nossos instintos agressivos? O que nos faz apontar e condenar os instintos agressivos dos outros? O amor.

É o amor que nos faz denunciar o lado bizarro de tudo. É por amor que não deixamos que nosso lado pior nos domine.

É o amor que protege o mundo da destruição.

Não existe cura para a agressividade humana. Não adianta pensar que um dia controlaremos nosso lado mais escabroso.

O que, então, nos faz manter sob recalque o que somos de mais obscuro? A culpa – e se nos sentimos culpados é porque temos amor. Ou seja, remoemos porque nosso amor não foi suficientemente forte para nos conter. Ressentimos porque se pudéssemos voltaríamos atrás e faríamos tudo diferente.

Sem o amor não saberíamos a diferença entre o bem e o mal. Sem o amor não brigaríamos pelo meio ambiente, pelo fim da violência contra a mulher, pelo fim da lgbtfobia e pelo fim do racismo.

Só o amor para nos conter no que somos de pulsão de morte. Como essa pulsão não tem fim, nunca podemos nos perder do amor. É ele que vai e volta sobre ela mantendo-a sob controle. Sem o amor, a sangria do pior desata em nós. Daí …

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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NINGUÉM PODE SER FELIZ SENDO CANALHA NO AMOR …

Não podemos usar a desculpa de não existir amor perfeito para justificar o fato de que podemos errar no amor.

Não dá para ficar aprontando com quem se ama porque o amor – na prática – é impossível. Nada explica uma traição com base na ideia fajuta de que amar é um eterno aprendizado.

Também não dá para se iludir com os amores redondinhos dos filmes de sessão da tarde e das propagandas que romantizam a hipocrisia amorosa da tradicional família brasileira.

Nenhum amor suprime a humanidade dos amantes. Não há amor sem conflito e a monogamia é – sim – uma construção cultural.

Enfim, o amor é daquelas coisas que não podemos radicalizar nem para o lado do outro e nem para o nosso lado.

Ninguém pode achar que vale tudo no amor porque desconhece alguém que tenha conseguido amar sem deslizes. Também, não podemos fazer de nossos corpos um inferno em nome de uma ideia amorosa que precisa ser obedecida a ferro e fogo.

Temos que dar conta de amar sem usarmos a distância entre a teoria e a prática para justificar nossas canalhices e, temos que dar conta de amar, sabendo que seremos – o tempo todo – tentados a quebrar nossas juras de amor eterno.

Não é ruim esse antagonismo no amor. Não existe amor fora dele. O importante é dar conta de transitar bem nele.

Ninguém pode ser feliz no amor sendo cafajeste. É por isso que o amor universal – do respeito e do cuidado mútuo – é fundamental. Também, nenhum amor universal se sustenta renegando – o tempo todo – a realidade dos corpos amantes. É aí que a liberdade mostra a sua importância no amor.

Como dar conta de amar harmonizando o amor unificado da cultura com o amor desregrado dos corpos – e sem se machucar e sem machucar o outro? Eis a questão.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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NÃO EXISTE ANTIDEPRESSIVO PARA O FIM DA VIDA …

Infelizmente, nas ansiedades e depressões, as pessoas querem algo que funcione: uma palavra, uma ação ou um medicamento.

Ninguém quer uma conta bancária negativa. Ninguém quer viver com um carro estragado. Ninguém quer carregar um celular que trava o tempo todo.

O carro podemos consertar e o celular podemos trocar por outro com uma memória maior.

O que resolve as ansiedades e depressões não é o que funciona. Pelo contrário, é o que não funciona. Não sabemos de onde viemos e para onde vamos. Vamos envelhecer e morrer. Nunca teremos cem por cento de certeza da veracidade do que as pessoas nos dizem.

Somos sem funcionalidade no que tange à nossa existência. Não existe conta bancária, carro, celular, palavra ou medicamento que possa nos livrar do fato de que somos finitos.

Nossas depressões e ansiedades estão diretamente relacionadas ao que somos e que não existe conserto para isso. Não existe oficina para o fim da vida. Não podemos nos trocar por uma pessoa mais jovem.

Em se tratando de quem somos, não adianta buscar pelo que funciona. Funcionamos para muitas coisas. Mas, há em nós o que é disfuncional. Teremos que carregar essa disfuncionalidade. Teremos que ver o que vamos fazer com ela. Teremos que dar conta da felicidade com ela.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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NENHUMA ARROGÂNCIA PODE DURAR MUITO TEMPO …

Precisamos repetir para os arrogantes que a vida já traz em si os germes da sua própria destruição. Ou seja, não vamos morrer no futuro: já estamos morrendo agora.

Qualquer coisa que dissermos já carrega em si os nervos de sua própria contradição.

Não existe amor sem angústia, maternidade sem rompimento e desigualdade sem igualdade. Nenhuma festa é eterna.

Nossa capacidade de prosseguir não está em fazer prevalecer a verdade do que quer que seja, mas em darmos conta de carregar conosco o que contraria essa verdade. Esse contrário é inevitável.

Não é só a verdade que move. Não faz mais sentido quando se tem sentido. Não tem lógica dialogar com o mesmo. Criamos o pânico e o medo quando achamos que o que pensamos pode existir por si só. Não teríamos porque afirmar se não tivéssemos porque negar.

Não é calar. Não é perseguir. Não é matar. O que nos perturba não vem do outro. O que nos enlouquece vem de nós mesmos. Somos o nosso próprio inferno. Trazemos o que mais abominamos nas entrelinhas do que mais idolatramos. Basta abrirmos a boca para entregarmos ao outro as armas que serão usadas contra nós mesmos.

Portanto, prepare-se para deixar de ter paz caso você queira se colocar como absoluto – porque é também absoluto o que contraria esse absoluto.

A saída não é querer calar o contraditório. A saída é dar conta de carregá-lo, abraçá-lo, enfim, tomá-lo como sendo seu.

É por isso que nenhuma ditadura – seja de direita ou de esquerda – pode durar muito tempo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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NÃO DÁ PRA EXISTIR SEM DOR …

Ninguém quer perder. No entanto, somos perda. Contudo, o mundo nos oferece uma série de artifícios para enfrentarmos isso – que é nosso – e que tanto nos aterroriza.

Chorar, destrambelhar, gritar, ir atrás e se humilhar não deixam de ser artifícios que temos para rejeitarmos isso que nos enlouqueceria – se tivéssemos que encarar de frente.

Não sabe amar aquele que sofre depois do fim de um amor. Deveria ser a coisa mais normal do mundo aceitar – com tranquilidade – quando tudo acaba. Há culturas que fazem festa quando morre um ente querido.

Infelizmente, queremos fazer com certas emoções nossas o mesmo que fazemos com os dejetos, sujeiras e lixos de nossas casas.

Ocorre que nossas emoções não são coisas que podemos simplesmente jogar para debaixo do tapete, dar descarga, queimar, entulhar ou desovar.

Não existe psicologia capaz de nos livrar de nossas emoções. Precisamos encontrar algo que nos unifique a elas. Fazer isso é – no mínimo – preventivo da depressão e da loucura.

O que fazer com o que nos perturba? Isso é de cada um. Espera-se que façamos bem feito.

Evaristo Magalhães – Psicanalista.
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É LOUCO QUEM ACREDITA EM AMOR PERFEITO …

Ninguém está seguro do amor que tem. A qualquer momento o outro pode chegar nos dizendo que encontrou outro amor mais amoroso que o nosso.

O amor nunca é toda a verdade. O que é a verdade? A verdade é só até onde sabemos – e ninguém sabe tudo. Não existe amor sem riscos.

Não seria o amor um misto de controle e de descontrole – e sem deixar que esse descontrole se torne um problema?

Não seria o amor a capacidade de amar e de não amar – e sem que esse paradoxo o impeça de prosseguir?

O amor é como quando sabemos das fraquezas de nossos pais – e ainda assim continuarmos a tê-los como nossos grandes heróis.

O amor é como os vampiros dos filmes de ficção científica. Ou seja, o amor é um vivo-morto.

É por isso que ninguém mostra seu lado feio quando ama. Pobre daquele que ama iludindo-se de que o outro é feito só de bonitezas?!

O amor é bom? Sim. O beijo, o cheiro, o toque, o sexo, o orgasmo e a conversa: tudo isso é muito bom! O problema é estar ciente de que esse bom é só um recorte do amor. O problema é estar ciente – também – do que esse recorte tenta jogar para debaixo do tapete.

Não existe assepsia das emoções!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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AMANTES E AMIGOS AINDA SÃO AS MELHORES COISAS DA VIDA …

Por inocência, tiramos o amor da lista daquelas coisas que é impossível tê-las como gostaríamos – porque se as tivermos elas perdem completamente o sentido.

Não existe amor pleno. Que sentido teria o amor se absorvêssemos tudo dele?

O contraditório do amor é o medo de perder. É para não perder que somos atenciosos, cúmplices e confidentes. Portanto, não existe amor sem algum temor.

É porque não existe amigo perfeito que estamos sempre criando novos vínculos pessoais. A vida em sociedade estaria em risco se nos bastássemos com os amigos que temos.

Ninguém vai ao analista para se curar do medo de perder e dos conflitos de conviver. Vamos ao analista para nos darmos conta de que é impossível viver sem diferenças.

Vamos ao analista para prosseguirmos em nossas relações – e sem que os contraditórios do amor e da amizade nos impeçam de continuarmos acreditando que estar com as pessoas – ainda – é a coisa mais importante da vida.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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TEMOS QUE AMAR QUANDO NÃO TEMOS …

Somos seres faltosos. Tudo traz consigo algum mistério.

Não existe felicidade completa de nada. Chega uma hora em que todo mundo cai no vazio quando começa a duvidar das escolhas que fez.

Tudo enjoa. Enjoa a ausência. Enjoa a presença. É normal oscilar entre amar e cansar do carro, da casa, do trabalho, das pessoas, dos filhos e dos amores.

Somos – sobremaneira – viciados em objetividade. Só conseguimos lidar bem com aquilo que possui alguma consistência intelectual ou material. Só conseguimos gostar do que nos reveste. No entanto, há algo mais para além de tudo – abstrato ou concreto – que acoplamos em nós.

É por isso que não existe ideologia perfeita. É por isso que nada se sustenta por muito tempo para o nosso desejo. Estamos o tempo todo incomodados com isso que nos amedronta enquanto falta.

Achamos que podemos encontrar alguma unidade pela ilusão da objetividade. Não podemos!

Sempre tem alguém que acha que pode objetificar tudo. Isso nunca foi possível – mesmo nas piores ditaduras.

Só sabemos gostar quando nos é pensável, visível e tocável. A questão é que tudo no mundo é muito mais do que pensamos, vemos e tocamos. Enxergamos e ouvimos só até aonde podemos enxergar e ouvir. Infelizmente, só sabemos angustiar e agredir quando somos apresentados a isso que nada sabemos e nada podemos.

Precisamos dar conta de amar – também- o vazio. Ele nos compõe. Ele é real!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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POR QUE TANTA ANSIEDADE?

Estamos imersos em uma epidemia de ansiedade porque invertemos a ordem do lugar de onde, até bem pouco tempo, buscávamos o sentido para nossas vidas.

A sociedade de consumo está nos fazendo acreditar que o sentido de existir não está mais no que o outro pensa e sente e, sim, no que ele possui.

Viramos meros consumidores de imagens. Não importa mais as ideias e as emoções. Importa a qualidade artificial das imagens postadas nas redes e nos aplicativos de relacionamento. Importa o impacto dos nudes. Importa a forma do corpo, a espessura da pele, a definição abdominal, o tamanho do bíceps, do peito, da bunda e do pênis.

Parecemos a criança-perversa que se interessa mais pelo órgão genital da mãe que pela pessoa da figura materna.

Estamos viciados no mundo das coisas, do físico, do ter e do concreto.

Por que o concreto nos angustia mais que o abstrato? No concreto, não conseguimos trazer a angústia conosco. No concreto, nos iludimos de que podemos passar sem ansiedade. Ou seja, passamos de um produto ao outro até tornamo-nos consumidores compulsivos.

É só no abstrato que conseguimos pensar – junto – ser e não-ser, prazer e dor, alegria e tristeza, ausência e presença, vida e morte.

Não é possível viver sem dor e sem tristeza mesmo estando com as pessoas – ditas – mais ricas e mais bonitas do planeta. Não é o ter que nos livrará de nossas angústias e ansiedades.

Para não enlouquecermos, precisamos juntar – em nós – o que somos e o que não-somos. Precisamos criar uma dialética interna que dê conta de harmonizar – e sem a pretensão de superar – o que somos de mais contraditório.

Jamais conseguiremos tal intento pelo ter. Tal intento só é possível pelo intelecto. Fora dele, é só angústia, ansiedade, depressão, obsessão e loucura.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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