POR QUE A MATEMÁTICA NÃO SERVE PARA O AMOR …

Na matemática existe o um, o dois e o três.

Não podemos transpor os números para a nossa existência. O dois pode ser mil na nossa relação com o tempo, com a sociedade e com as pessoas.

A matemática ensina que é possível encontrar o resultado exato se seguirmos corretamente todos os passos da equação.

Infelizmente, transpomos esse modelo para as nossas relações familiares e amorosas. Ou seja, a matemática nos ensina que a exatidão é possível – e a vida nos transmite o contrário.

Nós, ocidentais, sabemos muito de matemática e pouco de vida. É por isso que sofremos com nossas mazelas sociais, familiares e amorosas.

Na vida, pode não vir o dois, o três e o quatro depois do um. O que vamos fazer com isso?? É o que a psicanálise chama de subjetividade.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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POR QUE NÃO É POSSÍVEL TORNAR CONSCIENTE O INCONSCIENTE?

O que significaria tornar consciente o inconsciente? Significaria conseguir desvendar todos os enigmas da nossa existência. Significaria saber de onde viemos, para onde vamos, por que envelhecemos e por que morremos.

Significaria não ter dúvida do amor do outro, da amizade, da lealdade e da sinceridade das pessoas por nós.

Significaria ter certeza de que nada de ruim vai nos acontecer. Ou seja, ter certeza de que não perderemos nossos empregos, não perderemos as pessoas que mais amamos e não seremos surpreendidos por nenhuma doença incurável.

Infelizmente, a religião, a ciência e a filosofia querem nos vender a ideia de que podemos passar sem o nosso inconsciente. Doce ilusão!

O fato é que se perguntarmos pela humanidade dos religiosos, filósofos e cientistas veremos que suas religiões, ciências e filosofias dizem muito de quase tudo, mas não dizem nada de si mesmos.

A humanidade não seria a mesma se os religiosos, cientistas e filósofos questionassem suas próprias existências do mesmo modo que questionam seus assuntos religiosos, científicos e filosóficos.

Se todos se colocassem dentro das verdades que dizem possuir descobririam que não possuem verdade nenhuma.

Do ponto de vista do inconsciente, ninguém sabe mais que ninguém e ninguém é melhor que ninguém.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE FAZER COM O QUE TE PERTURBA EMOCIONALMENTE?

É muito perigoso não saber o que fazer com o que perturba. Podemos descarregar isso em nossos sonhos, sintomas e esquecimentos.

O problema é quando nem o onírico, nem o corpo e nem os atos falhos dão conta de nos livrar disso.

Para onde pode ir o que não foi para os nossos sonhos, sintomas e esquecimentos? Pode ir para a realidade – de forma nua e crua. Esse é o grande perigo.

Não podemos subtrair nosso inconsciente dos recursos que temos para lidar com ele. Em contrapartida, não podemos achar que existe algum recurso capaz de dar conta de tudo dele. Não existe. É preciso não agir com ele. É preciso agir sobre ele – criando recursos novos.

Isso tem fim? Não. Nosso inconsciente escorrega por entre cada recurso que inventamos. E não adianta querer se programar pensando, imaginando e fantasiando. Ele é improgramável.

O inconsciente é o imprevisível, o que não sabemos e o que nos surpreende com angústias e ansiedades. A ciência pode antecipá-lo com previsões? Não. Quanto a ele, só podemos agir – e é esperado que não façamos nenhuma bobagem!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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MUITO CUIDADO COM AS SUAS EXPECTATIVAS …

O problema não é encontrar um grande amor, fazer cirurgia plástica ou defender uma determinada ideologia. O problema é a expectativa que se cria em torno desse grande amor, dessa cirurgia e dessa militância.

A expectativa tem a ver com nossos desejos, projetos, crenças e sonhos. E quais sonhos queremos realizar? O sonho de ser feliz no amor, de manter a eterna juventude e de construir a sociedade perfeita. Sabe quando realizaremos esses sonhos? Nunca.

Não existe o que sonhamos porque somos contingentes. Ou seja, ninguém tem a garantia de que o daqui pouco será igual ao agora. Tudo pode acontecer, para a nossa alegria ou para a nossa tristeza.

Desse modo, temos que tomar muito cuidado para não associarmos esse elemento castrado da nossa subjetividade aos nossos amores, nossas lutas estéticas e políticas.

O sentido do amor, da beleza e da utopia social não pode prescindir desse componente faltoso da nossa condição existencial. Nada dá conta dele.

Podemos encontrar – sim- um grande amor, a promessa da eterna juventude e a revolução social. Porém, nenhum amor, nenhuma beleza e nenhuma luta política é capaz de fazer parar o tempo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE É UM AMOR EROTOMANÍACO?

Existe limite para o amor? Sim. De modo geral, ele aparece quando os amantes se tornam possessivos, pegajosos, agressivos e ciumentos demais. Ele aparece quando a relação caminha para o constrangimento, para a inconveniência, para as chantagens e perseguições.

O erotomaníaco desconhece os limites do amor. É por isso que a erotomania, quase sempre, termina em tragédia.

O erotomaníaco toma o amor como a coisa mais importante de sua vida. Quem ele ama se torna uma obsessão, um delírio ou uma loucura.

Ele não consegue pensar em mais nada que não seja a pessoa que ele ama. Tudo de seu passa a girar em torno desse amor. Ele deixa de se ver e passa a se ver para o outro quando está diante do espelho. Tudo de si é o outro que está em sua respiração, visão, audição, tato e paladar.

O pouco do outro é tudo para ele. Ele se sente profundamente amado bastando um pequeno gesto, para si, de quem ele ama – ainda que seja um gesto de pura gentileza.

O problema do erotomaníaco é que esse amor é, quase sempre, só seu. Ele entra em uma alucinação que a pessoa que ele ama o ama tanto quanto ele a ama. A questão é quando ele se dá conta da realidade.

É por isso que a pulsão que move a erotomania é, quase sempre, uma pulsão de natureza mortífera.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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COMO ESTOU VIVENCIANDO ESSA PANDEMIA?

Desde março de 2020 estou em isolamento social. Quem me conhece sabe o quanto não sou de ficar em casa.

Aqui, em Bh, quem quiser me encontrar é só frequentar os teatros, a gruta, o carnaval, a transa, o belas artes, o maletta, o Ccbb dentre outros.

No entanto os cinemas fecharam. Não há mais espetáculos, shows, exposições, festas e carnaval. Sequer posso visitar meus amigos.

Muita gente me pergunta como estou vivenciando tudo isso. Tenho tentado não ver o isolamento como um trauma, uma ruptura ou como se a cidade me tivesse sido abruptamente retirada.

Tenho tentado pensar que não controlo as contingências. Portanto, se fui colocado nesse lugar é porque a vida quer me fazer vivenciar isso.

Dói? Sim. Deprime? Sim. Gera ansiedade? Sim. Adianta lutar contra? Não.

Desse modo, entendo que a vida só me deu uma alternativa: suportar isso. Ou seja, suportar sem fazer qualquer julgamento. Suportar no sentido de tomar como sendo meu e de dar conta de carregar comigo – e sem saber de que se trata.

Há dias que acordo melhor, entristeço no meio e melhoro um pouco mais tarde. Há dias que não me sinto bem um minuto sequer. Vou me entupir de antidepressivos e de ansiolíticos? Não.

Decidi experimentar sentir isso. Ninguém vive só de alegrias. Decidi tomar esse tempo para vivenciar isso. Decidi tomar esse tempo para olhar para isso. Decidi tomar esse tempo para tentar aprender – quem sabe – a gostar disso.

Portanto, tenho, nesse período tentado conhecer, ver, tocar e abraçar a melancolia em toda a sua plenitude. Espero, em alguma medida, aprender um pouco mais sobre a vida com isso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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NÃO RESOLVA NOS OUTROS A SUA SOLIDÃO …

Amamos porque queremos dominar o desamor. É por isso que somos carinhosos e atenciosos.

Amamos porque não queremos nos haver com a solidão e o medo. No entanto, quanto mais amamos, mais essa solidão e esse medo se fazem presentes.

Podemos enlouquecer se não tomarmos cuidado com o que a falta do amor significa
para nós.

Todo amor é um pouco egoísta – no sentido do pânico de ficar só de quem se ama. No entanto, nenhum amor pode ser movido por esse desespero.

Deveria ser condição para amar que cada um crie alguma intimidade com seu insuportável. Toda posse e todo ciúme desmedido não vem do medo de perder quem se ama e, sim, do medo de ter que se haver com o lugar que a falta desse amor pode apresentar.

Somos sobremaneira movidos pela ideia de um amor que pode nos livrar de nossas desavenças subjetivas. Essa é a regra. No entanto, ela não funciona. Nenhum amor dá conta de toda a nossa complexidade.

É nosso isso que ultrapassa o amor. Temos que dar conta disso. Caso contrário, nunca seremos felizes no amor.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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TRAIR PODE NÃO SER DEIXAR DE AMAR …

O problema de quando achamos que sabemos sobre o amor é o de levarmos esse saber ao pé da letra quando encontramos alguém para amar. Não existe um conceito pronto e acabado acerca do amor.

Não podemos querer literalmente o amor que pensamos quando encontramos alguém para amar. Nunca encontraremos esse amor em ninguém. Ou seja, cada amor é único. Mesmo sendo por uma mesma pessoa, esse amor pode ser maior agora, menor daqui a pouco e pode até acabar mais tarde.

A questão não é encontrar o amor que queremos. A questão é dar conta de encontrá-lo mesmo quando ele deixar de existir como gostaríamos.

Sofremos porque somos literais demais. Precisamos ampliar o que entendemos acerca do amor para darmos conta de enxergá-lo mesmo quando tudo parece estranho nele.

Por exemplo: trair é deixar de amar? É possível amar mais de um? É possível amar sem fazer sexo?

Não estou dizendo que concordo com a traição, com o poliamor e com a frigidez. Apenas acho que muitos amores acabam – exatamente – porque os amantes não se deram conta que, mesmo o amor tendo modificado, isso não significa que ele deixou de existir.

Como tudo nada vida, o amor também se reconfigura. Não podemos achar que ele acabou apenas porque se reconfigurou. Nenhuma pessoa é a mesma o tempo todo. Nenhum amor é o mesmo a vida toda. O amor pode continuar com a mesma intensidade – mesmo tendo adquirido novas roupagens.

Não podemos tomar os desvios como sendo a rota principal. Não podemos tomar os tropeços como sendo o fim da caminhada.

Vale tudo? Não. Precisamos ver caso a caso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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EU SOU UMA PESSOA REPRIMIDA E RECALCADA …

Em alguma medida, somos todos recalcados e reprimidos.

A repressão é universal. É o que tem que ficar preso em todo mundo porque é agressivo e violento. É o que coloca em risco a existência da civilização porque seu conteúdo pode levar a humanidade de volta à barbárie.

A repressão não existe na psicose, na psicopatia e na perversão.

O recalque é subjetivo. Ou seja, há conteúdos – que são próprios da psicose, da psicopatia e da perversão – e que podem circular nos psiquismos ditos normais sem que isso se torne um risco para a existência da coletividade.

É por isso que o recalque varia de pessoa para pessoa. Alguns são mais e outros são menos recalcados. De modo geral, os muito recalcados tendem a atribuir ao menos recalcados a categoria de psicóticos, psicopatas ou perversos. Ou seja, esses muito recalcados estão confundindo recalque com repressão.

Uma pessoa transfóbica – por exemplo – não sabe diferenciar repressão de recalque. Até bem pouco tempo, a transfobia era considerada pela OMS uma doença mental. Um absurdo! Ninguém sabe de onde tiraram que a diversidade de gêneros pudesse representar algum tipo de violência.

Portanto, é muito importante não confundir repressão com recalque. Temos que reprimir – sim – a corrupção, a fome a miséria, o racismo, a misoginia, a transfobia, o genocídio e a negação da ciência.

Agora, é de uma ignorância absurda alguém que ainda se recalca do seu direito à liberdade e ao amor.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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