POR QUE TANTA AGRESSIVIDADE NAS REDES SOCIAIS?

Quase sempre, confundimos completude com romantismo, realização profissional e com a utopia de uma sociedade perfeita.

Não existe a completude. No entanto, permanecemos obcecados por ela.

Quando não nos é inteiro, revoltamos, agredimos ou deprimimos.

Publico meus textos nas redes sociais. Sei das minhas inconsistências. Não consigo enxergar todos os lados ao mesmo tempo e, ainda que isto fosse cabível, não me seria possível publicar pela limitação de tempo e de espaço.

Por isso, talvez, sou muitas vezes criticado e agredido: as pessoas só gostam quando é completo – ao menos para elas mesmas.

Tenho clareza de minhas inconsistências e obscenidades teóricas – não consigo deixá-las de fora da minha escrita. A questão é quando as minhas inconsistências tocam as inconsistências do outro.

Infelizmente, não sabemos lidar com alguma dor – tanto que vivemos para exigir que o outro nos dê com a condição de que venha sem nenhuma angústia.

Alguma dor é inevitável porque é preparatória para a dor maior.

Aquele que lida bem com sua dor, nunca é agressivo quando se depara com o limite do outro. Muito pelo contrário, aceita, extrai o melhor para si e ainda tenta complementar – ainda que isso não seja cem por cento possível.

Talvez, o grande sentido da vida seja a gentileza, o cuidado e a boa vontade.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Instagram: @evaristo_psicanalista

Twitter: &evaristopsi

POR QUE É MELHOR VIVER ALIENADO?

A grande maioria não fala por si e, sim, pelo outro.

Quem dera se as palavras saíssem de nós mesmos?!

A grande massa fala mesmo é pela boca da mídia, da política, das ciências, das filosofias e das religiões.

Por que não falamos por nós mesmos? Porque teríamos que trazer quem somos junto com nosso discurso. É por isso que, quase sempre, optamos por falar através do outro. E como todo mundo fala através de todo mundo, acaba que ninguém fala por si.

Os discursos, geralmente, são assépticos das subjetividades porque aparecem sempre muito organizadinhos, lógicos, rigorosos e sistematizados.

É por isso que quase entramos em pânico quando os grandes discursos começam a entrar em crise – tanto que rapidinho inventamos novas lideranças e novos mitos.

Somos covardes de nós mesmos quando preferimos a ilusão no lugar da verdade. Quem dera se a vida fosse tão bonitinha como dizem por aí?! Não é!

Coisificamos as teorias, doutrinas e ideologias porque, caso contrário, enlouqueceríamos com as verdades da vida.

Se o que pensamos, defendemos e brigamos partisse de nossa própria humanidade, certamente não faríamos a guerra, não perseguiríamos ninguém, compartilharíamos as decisões e aceitaríamos as diferenças.

Nessa vida, tudo passa! Essa é a verdade!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Instagram: @evaristo_psicanalista

Twitter: @evaristopsi

É NORMAL TER PENSAMENTOS SUICIDAS?

Quantos não pulam de um prédio em chamas? Quantos não são claustrofóbicos?

É normal sentir medo ou entrar em pânico em ambientes de risco. Do mesmo modo, é normal sentir medo em situações de crise existencial.

O que é crise existencial? É quando somos impedidos de pensar e sentir como gostaríamos. A questão é que – para esses casos – não adianta pular ou tentar sair porque a solução não é física.

Podemos passar de dentro para fora de um elevador. Podemos deixar a escada rolante e subir pela escada de emergência.

E quando o sofrimento é de natureza subjetiva? E quando nos tomam todas as nossas crenças, ideias, sentimentos e sonhos? E quando somos lançados no mais profundo vazio? E quando nos deixam na mais pura angústia? Existe passagem? Passagem física, não.

Nesse momento, é normal que tenhamos pensamentos suicidas porque a vida nos apresenta uma única saída: fazer calar – em definitivo – esse insuportável que nos foi imposto.

É o ideal? Não.

Para sair de ambientes ameaçadores, usamos nossos reflexos e nossa força física. Para situações de invisibilidade, só nos resta o outro com sua palavra, seu amor, seu testemunho, sua escuta e seu acolhimento.

Não podemos, nesse momento, soltar a mão de ninguém!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Instagram: @evaristo_psicanalista

Twitter: @evaristopsi

VOCÊ SE ACHA UMA PESSOA SUPERFICIAL OU PROFUNDA?

Não existe o superficial e o profundo. Acreditamos que existe um rosto por detrás de uma máscara como se o rosto fosse mais profundo que a máscara.

Não existe diferença entre a máscara e o rosto. Ambos estão no tempo e não serão poupados por ele.

De nada adianta eu me perguntar como se existisse um eu mais consistente escondido em algum lugar de mim. Isso em nada me livrará do eu que – de fato – sou.

Não sou superfície e profundidade. Não sou isso e aquilo. Quem não sou está tanto em mim quanto o que sou. Sou isso e aquilo junto. Sou tudo – aqui e agora.

Não preciso procurar por mim: tudo está em mim desde que nasci.

Foi porque inventaram essa história de aparente e profundo que inventaram – também – a obsessão, o medo, o pânico e a depressão.

Não existe essa bobagem de opaco e cristalino – como se o cristalino pudesse depurar o opaco.

Na verdade, o que sou mesmo é todo opaco. Devo perguntar por ele? Não. O que devo fazer, então? Carregá-lo.

É só o que posso!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

VOCÊ É UMA PESSOA AUTÊNTICA?

Dizem que você tem que ser assim ou assado, mas não te explicam os motivos de você ter que ser.

Por que não explicam? Porque não há motivos. Tudo vai terminar igual – independentemente do jeito que quiserem você seja.

Querem te dizer que faz algum sentido quando não há o menor sentido. Com isso não criamos intimidade com o não-sentido. Daí, piramos quando o outro lado bate à nossa porta.

Portanto, não há o sentido. Não nos dizem a verdade porque querem nos vender como sendo verdadeiros esses falsos sentidos.

A família, a escola e a religião sobrevivem de nos enganar com seus supostos sentidos.

Portanto, não há uma ética. Não há um modo certo de ser. Se assim fossem, ninguém entraria em depressão.

Isso é ruim? Não. O sentido é de cada um. Invente o seu. Deixe a sua marca porque a única verdade é que estamos caminhando para terminar todos do mesmo jeito.

Evaristo Magalhães – Psicanalista