UMA PERGUNTA …

em

que

você

está

se

transformando?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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POR QUE NÃO GOSTO DESSA TAL DE CONSTELAÇÃO FAMILIAR?

As pessoas adoram uma verdade. Todo mundo gosta de uma explicação fácil para seus problemas psicológicos.
Você é assim porque seu pai foi assim com você. Você precisa se ver dentro da sua constelação familiar para que sua depressão e sua ansiedade sejam esclarecidas.
Não jogue dinheiro fora com profissionais que se dizem portadores de uma solução qualquer para as suas questões emocionais.
É seguro que nossos dilemas existenciais estão relacionados com o fato de que não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos.
Nosso existir é sem verdades. Nosso existir tem mais certezas que verdades. E como gostaríamos que essas certezas fossem mentiras?! Há um imenso mercado vendendo um tanto de mentiras por aí.
É por isto que gosto da psicanálise. Ela não mente. O silêncio do psicanalista é para que cheguemos ao nosso próprio silêncio. O nosso próprio silêncio é queda de todas as nossas mentiras. Quais sejam: as mentiras que a religião, a filosofia e a ciência nos embromaram.
Este silêncio é nosso. Ou inventamos algo sobre ele ou o carregamos por toda a vida – e sem saber de que se trata. Evaristo Magalhães – Psicanalista

QUAL A DIFERENÇA DO PSIQUIATRA PARA O PSICANALISTA?

As pessoas, de modo geral, procuram um psiquiatra porque estão tristes, deprimidas ou melancólicas. Elas acreditam que este médico pode, através de um medicamento, trazê-las de volta para seus afetos perdidos não se sabe aonde.

É mais ou menos como as pessoas que vão assistir a uma comédia, sair para dançar, fazer uma viagem ou praticar uma atividade física.

Ou seja, as pessoas acreditam que é possível fazer a passagem de um estado triste para um estado alegre de viver.

É como se o psiquiatra tivesse o poder de fazer uma depuração de todos os sentimentos negativos da humanidade.

É quase como um teatro onde o herói passa da dor à felicidade. Na verdade, gostamos, também, muito de representar. Todos queremos ser como o herói.

Não gostamos de quem – de fato – somos.

A psicanálise existe para nos dizer que a saída não é pelo medicamento, pelo teatro, pelo lazer ou pelo exercitar.

A psicanálise está depois de tudo isso. Não tenho dúvida de que a psiquiatria e as artes que temos, surgiram do encontro dos médicos e dos artistas com a verdade – nua e crua – de suas vidas.

A questão é quando passaram a vender tudo isto como sendo formas únicas de desencadeamento da alegria de viver ou de cura das agruras da vida.

A psicanálise nos traz de volta para a verdade – nua e crua – de nossas vidas. O psicanalista quer que comecemos do ponto onde a psiquiatria e as artes não deram conta. O psicanalista quer fazer avançar os sentidos de viver a partir do que cada indivíduo fará depois de deitar, levantar do divã e retornar para a vida.

A psicanálise está depois de tudo que achamos que sabemos sobre nós mesmos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

SÓ GOSTO DO QUE NÃO FAZ O MENOR SENTIDO …

Não gosto do que me diz alguma coisa. Gosto do que nada me diz.

Tem um ventilador de teto no meu quarto. Ele faz uns barulhinhos. É tudo o que eu mais gosto de escutar. São só barulhos. Só os ouço. Não preciso pensar em mais nada. Não são bonitos nem feios. Não são agudos nem graves. Não são tristes nem alegres. Tudo em mim cessa quando me ponho a ouví-los.

Talvez, a maior fonte de nossas angústias e ansiedades tenha sido o fato de um dia termos começado a dar nomes e a interpretar as coisas, as sensações, as emoções e os barulhos. Começamos a viajar demais e nos perdemos de tudo.

Penso que enveredamos por um caminho sem fim quando decidimos tudo interpretar. Nunca mais tivemos sossego porque, a partir daí, tudo deixou de ser o que é para ser outra coisa. Tudo passou a nos afetar para o melhor e para o pior. Tudo passou a nos causar prazer, angústia e medo.

Não gosto do que tenho que significar. Não gosto do que me comove, me horroriza e me angustia. Não gosto do que me realça e me amplifica.

Prefiro aqueles sons da época em que as crianças não falam, mas balbuciam emitindo coisas que parecem antecipar a sonoridade das palavras.

Gosto de sons que me fazem esquecer os sentidos de tudo. Gosto de sons que me causam amnésia fônica.

Quero o que perdi quando decidi querer tudo entender. Quero o ruído, o barulho, o grito, a dissonância, a nota falsa, a arritmia, o sopro e o balbucio.

Não quero nada que me afete pensar. Não quero nada que me provoque falta. Não quero nada que me abra buracos. Não quero ter procurar. Não quero nada que tenha outra coisa por detrás. Não que nada que tenha depois. Quero só o que é.

Quero sons e barulhos que ouço sem me impactar. Não quero nada que me angustie. Só quero sons que nada me dizem. Só quero sons inteiros. Quero uma nota que seja sempre a mesma. Quero um ritmo que seja sem variação. Só quero sons que são por si – sem que me façam procurar por outros como se precisassem de complementos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista