A PAZ É …

qualquer

intervalinho

de

pensamento

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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É O OUTRO QUE SÓ QUER SEXO?

Somos, sobremaneira, pretensiosos. Temos uma tendência em julgar as pessoas. Achamos que podemos adivinhar o que se passa no universo mental e sentimental dos outros.

Julgamos que ninguém quer nada sério. Julgamos o outro individualista. Julgamos que todo mundo só quer sexo e mais nada. Daí, desesperançamos com a humanidade. Desistimos do amor. Desafectamos de tudo.

Provavelmente, descobrimos que as pessoas não querem nada sério a partir de algumas experiências amorosas nossas que não foram muito bem sucedidas.

No entanto, não devemos julgar a parte pelo todo. Não devemos igualar todos. Se assim o fizermos, estaremos equivocados. Ninguém é igual. Se assim pensamos, é seguro que estamos falando mais do nosso individualismo que do individualismo dos outros.

É nobre querer uma relação séria. É nobre não querer alguém só por sexo. Se deixamos de reconhecer nobreza em nossos valores, o problema não é do outro e, sim, nosso.

Portanto, ninguém se equivoca por querer amor nas relações. A questão é a dificuldade de persistir no que se quer. A questão é não saber lidar com a liberdade do outro em não querer o que estamos propondo. Fora que não querer nada sério ou querer só sexo, pode ter outros sentidos diferentes do que está sendo proposto. Uma coisa pode ser usada para se desculpar de outras.

De todo modo, prosseguir é fundamental. Dizer o que se quer – com sinceridade – é sinal de maturidade para o amor. É sinal de maturidade – também – estar preparado para receber uma negativa. Caso isto aconteça, a melhor saída não é a vitimização. Não é culpar o mundo por sua frustração.

Não sofre quem é seguro do que quer. Portanto, entendo que quando dizemos da ausência de seriedade e do excesso de sexualização nas relações, na verdade, estamos é falando de nós mesmos. Se, de algum modo, não fôssemos isso, nada disso nos incomodaria.

Esteja seguro de si. No entanto, não espere que o outro – também – esteja. Esteja preparado para as frustrações. E nunca esqueça que cada um saber a dor e a delicia de ser o que é.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

QUEM SOU?

Primeiro inventamos as letras. Em seguida, ligamos as letras e formamos as palavras. Depois, desembestamos a ler e a falar. Com isto, deixamos de viver no mundo das coisas e passamos a viver no mundo das palavras.

Como ninguém tem a palavra final, a vida vira uma confusão sem fim.

Socialmente, nosso desafio é tentar chegar a um acordo mínimo.

Subjetivamente, não é o melhor caminho tentar saber de si pelas palavras. Se assim o fizermos, entraremos em uma canoa furada.

Jamais saberemos quem somos pelo pensamento.

Não consigo me definir em um traço, em uma letra, em uma palavra ou em uma frase.

A coisa se complica ainda mais quando tento transformar todos os supostos desenhos que faço de mim em sons. Quando mais me desenho e mais me interpreto, mais me distancio de mim.

Portanto, se não sou de escritas e nem de falas, do que sou, afinal?

Sou de silêncio. E, sendo de silêncio, não consigo me escrever e nem me verbalizar. Estou antes das letras, das palavras e dos sons. E por não conseguir me escrever e nem me falar, tenho que ver o que vou fazer comigo nisso que nada e nem ninguém me toca.

Evaristo Magalhães – Psicanalista