POR QUE AMO JOÃO GILBERTO?

A voz de João Gilberto me chega absolutamente limpa. É como se se sua voz atingisse o ponto exato do prazer da minha audição. É como se ele quisesse tocar – com seu canto – a quina da mais fina parede que existe.

Não sei como ele consegue tamanho equilíbrio no tom. Não sei como ele consegue fazer com que suas melodias saiam de si e venham até meus ouvidos – e sem qualquer distorção.

Eu queria entender como ele consegue fazer com que nada interfira em sua voz. Parece que quando João canta tudo da natureza se rende ao seu canto. Parece que o ar e o espaço se calam para ouví-lo. Parece que sua voz se sobrepõe ao espaço e ao tempo – e levita.

Fico me perguntando como ele faz para controlar – enquanto canta – suas ansiedades angústias e medos. Fico me perguntando como ele faz – quando está no palco – para não permitir que suas mágoas, memórias, pensamentos e ideias interfiram em seu canto.

Como pode existir alguém com tamanha perfeição em seu ofício?
Como é possível alguém atingir – e se manter por tanto tempo – tão perfeito no que faz?

Queria entender como ele faz para colar voz e acorde. Queria entender como ele consegue encontrar – em seu violão – sons tão precisos em pureza, leveza e volume.

João tem os graves, os médios e os agudos mais limpos do planeta. João tem o violão mais asséptico e mais harmônico que conheço.

Desconheço outro cantor – no mundo – com tamanho domínio sobre sua própria voz. É impressionante como ele controla a emissão, não das sílabas, mas das letras.

Só João para ter a medida exata do modo de como tocar as cordas de um violão.

João é puro, hipnótico, mântrico e nirvânico. João é o que a filosofia chama de essência e o que a psicologia chama de plenitude.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE É UMA PESSOA VERDADEIRA?

 

Mesmo sabendo que de nada adianta, por que insistimos em lutar contra certas verdades nossas? Por que não baixamos a guarda – uma vez que a coisa nunca muda?

Como captar isso de outro modo que não pelo saber? Pela arte. A verdade que buscamos pelo saber só pode ser captada pela imagem. Sobre o que não conseguimos dizer, só nos restar mostrar.

Temos que dar conta de ver – e sem desvirtuar o que estamos vendo.

Não há melhor sinal de sanidade mental que dar conta de se amar no mais real de si. Ou seja, sendo feio, medonho e desesperador, mas achando-se maravilhoso.

Temos que dar conta de amar o impossível de nós – mesmo porque não há palavra, terapia ou medicamento que cure isso que somos. Precisa ser um retrato horrível e, ao mesmo tempo, lindo.

Temos que trazer quem somos de tal modo que a plástica, a maquiagem e o photoshop sejam apenas um adendo de sedução do outro para as nossas verdades.

Podemos – sim – colocar em nossa imagem traços, cores e brilhos, mas não para criar uma personagem que não somos. Mas, para revelar quem – de fato – somos!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE É A FRIGIDEZ SEXUAL?

 

De modo geral, primeiro pensamos e depois agimos. Por que o agir não vem junto – ou na frente – do pensar?
As palavras não são as coisas. O que tem a ver a palavra casa com o objeto casa? Nada. As palavras não têm sentimentos, cores, texturas, sons e sabores. As palavras são frígidas.                                       Somos assim – também – com o sexo. O sexo não deveria partir da mente para o corpo e, sim, do corpo para a mente. Deveríamos pensar – minimamente – quando estamos transando. O pensar – no sexo – deveria vir apenas para os cuidados consigo e com o outro.   Sexo é sentir: é mais corpo que cabeça. Não é hora de questionar o que está acontecendo quando estamos sendo tocados pelas mãos, pele, boca e língua de quem amamos. É hora de deixar fluir as sensações, de se permitir ser tomado pelo que faz arrepiar, estremecer, virar os olhos, moder os lábios, contorcer pernas, quadril, abdômen, peito, pescoço e cabeça. É hora de esquecer da vida para viver tudo o que nos toma em corpo e alma juntos.         Brochamos porque misturamos regras, valores, moralidades e tradições com o sexo. Brochamos porque não nos permitimos sentir. Brochamos quando não nos entregamos.                             Transar não pode ser de fora para dentro e, sim, de dentro para fora. Não é pensar sobre o gozo: é pensar no gozo!                           Uma coisa pensar, outra é ver. O visto é sempre mais rico que o pensado. Saborear é muito mais gostoso que memorizar o sabor.   Por que não abrimos mão do que nos disseram e buscamos saber do nosso sexo por nós mesmos? Nenhum sexo é igual. Por que não construímos uma teoria própria sobre o nosso sexo? Por que não desenvolvemos nosso modo próprio de ter orgasmo? Já que somos tão pouco originais em público, por que não agimos com originalidade quando estamos entre quatro paredes?            Muitos culpam as doenças, a história de vida e os traumas por suas friezas sexuais. Não é verdade!                                  Esqueça a mente! Parta de suas sensações! Permita-se sentir. Vá se descobrindo! Guarde – e vá ampliando – em seu mental essas descobertas!                  Dependendo, um simples toque na ponta do dedão do pé pode enlouquecer uma pessoa!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE É VIVER DE VERDADE?

 

A religião nos faz fugir de nós mesmos. Ela nos acovarda de nós mesmos.

A religião cria um saber que vira as costas para quem – de fato – somos.

Nenhum saber deveria partir do incerto para o certo. Não deveríamos amar o incerto e o odiar o certo?

O que é mais certo, a eternidade ou a morte? Quanto à morte, já sabemos de sua inevitabilidade. E quanto à eternidade? Alguém voltou aqui para confirmá-la? Não.

É por não aprendermos a amar a finitude, que não temos paz durante nossa passagem por aqui. É por nos ocuparmos com a incerteza da eternidade, que não usufruímos, como deveríamos, do tempo a que nos foi dado viver aqui.

Por que não casamos amor com morte ao invés de casarmos amor com eternidade? Por que não amar a escuridão no lugar da luz? Quem julgou as trevas como sendo pior que as luzes?

Não se trata de masoquismo esse gosto pelo mórbido. Não se trata de escolher não amar a finitude. Não temos escolha – mesmo porque não resolve sofrer, revoltar e deprimir.

Na vida, a ilusão está em amar só o dito belo, limpo e claro. Infelizmente, jogamos nossas verdades para debaixo do tapete ou para o esgoto – como se isso adiantasse alguma coisa.

Poucos na história da humanidade deram conta de amar seus dejetos. Poucos na história da humanidade deram conta de viver a vida em toda a sua plenitude.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE FAZER QUANDO NÃO HÁ O QUE FAZER?

 

Quem dera se pudéssemos tudo! Há o que podemos e o que não podemos.

Mudamos muito do planeta. Tudo o que fizemos, primeiro apareceu como uma questão que debruçamos sobre ela e conseguimos solucioná-la.

Criamos pensamentos, ideologias, doutrinas, medicamentos e terapias para as injustiças sociais, depressões e doenças.

Desenvolvemos uma série de tecnologias que em muito facilitaram os problemas que até pouco tempo tínhamos com o espaço e o tempo. Hoje, podemos conversar, em tempo real, com qualquer pessoa de qualquer país do mundo.

No entanto, temos questões que não adianta debruçarmos sobre elas. O caminho não é de fora para dentro, mas de dentro para fora.

Essas questões são como uma reta infinita. Por isso mesmo, estão aquém de todas as doutrinas, ciências e filosofias. A resposta é de cada um.

O que fazer quando não há o que fazer? Sofrer não adianta. Lamentar – também – não.

Associamos a felicidade com o que sabemos e a tristeza com o que não sabemos. Não deveria ser assim. Deveríamos amar o que não sabemos com a mesma intensidade com que amamos o que sabemos – mesmo porque não temos outra alternativa.

Para o que não sabemos, a saída não é lutar contra. A saída é abraçar isso, tomar como sendo nosso e carregar conosco a vida toda – e sem saber de que se trata.

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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O QUE É UM AMOR LEVE?

Por que, quando amamos, não paramos de pensar no outro? Porque o pensamento é um recurso que a humanidade inventou para fugir de sua des-humanidade. Usamos o amor como uma espécie de tampão para as nossas agruras existenciais.   Não é por amor ao outro que pensamos nele o tempo todo. Somos narcisistas quando amamos. Usamos o amor como uma espécie de antidepressivo de nossas próprias depressões.   É por isso que os amantes sofrem quando perdem seus amores.   Não deveríamos começar o amor usando-o como preenchimento de quem não somos. Ninguém nos preenche. Além disso, ninguém é de ninguém, ninguém é uma extensão nossa e ninguém está grudado em nós.   Esse outro – que usamos para suprimir nossas carências – é muito mais uma invenção nossa que um dado de realidade. Ninguém sabe tudo de ninguém. Seremos esquecidos no exato ponto em que o outro deixar de encaixar no pensamento que inventamos sobre ele.   Pensamos no outro para fazê-lo nosso – tanto que revoltamos quando ele nos apresenta um pensamento seu que desconhecíamos.   Pensar sobre o outro é um modo de criar uma espécie de norma para manter um certo controle sobre ele.   Não temos que pensar no outro. Amamos – exatamente – quando o esquecemos. Por que? Se dermos conta de amar quem somos sem o outro – certamente – estaremos cem por cento livres e leves para receber seu amor sempre quando ele quiser nos amar.
Evaristo Magalhães – Psicanalista
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POR QUE SOU PSICANALISTA E, NÃO, PSICÓLOGO?

 

Durante séculos algumas psicologias insistiram em nos iludir que a explicação para nossos medos, depressões, angústias e ansiedades estaria em nossa história de vida. Daí, desembestamos a falar de abandonos, abusos e perdas.

Outras psicologias diziam que se fôssemos bem treinados, estaríamos curados de tudo o que nos atormenta mentalmente.

Nenhuma dessas fórmulas deu certo. A humanidade continua, amedrontada, depressiva e ansiosa.

Não existe história e nem treinamento para nossos dramas emocionais. A explicação para tanto destempero não é biográfica. Os motivos de nossas dores existenciais não estão escondidos nas gavetas do fundo da nossa memória.

A explicação para nossos dilemas não começa no dia em que nascemos.

Ninguém é culpado das nossas loucuras.

Para descobrirmos os porquês de nossos medos, depressões, angústias e ansiedades precisamos perguntar qual é a verdade última do nosso corpo.

A psicologia não nos faz ir de encontro à essa verdade.

Só deixaremos de sofrer, o dia em dermos conta de amar isso!

Evaristo Magalhães – Psicanalista
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